Conexão Capivara: Dossiê Pupo

O vereador Anderson Branco (PR) fez uma devassa na vida parlamentar do colega Renato Pupo (PSD) e encaminhou ontem (22) à Corregedoria da Polícia Civil um dossiê que contém absolutamente toda a participação legislativa do colega entre fevereiro de 2013 a dezembro de 2017.

Está tudo ali, desde a presença de Pupo nas sessões legislativas, participação em oitivas de CPIs e até reunião de líderes. Com datas e horários respectivos. São quase 500 ocorrências envolvendo o nome de Pupo e mais de 400 páginas enviadas à Corregedoria. Daria um belo portfólio sobre sua atuação parlamentar ao longo de cinco anos, a ser guardado pelo vereador-delegado com carinho, não fossem os motivos que levaram Branco a fazer esse detalhamento todo.

O vereador do PR pediu à Corregedoria apuração de eventual incompatibilidade de jornada e atos administrativos viciados. De acordo com a denúncia, a jornada de Pupo como responsável pelo 3º DP é incompatível com sua atividade parlamentar. E o dossiê que ele apresentou com todos os horários em que o delegado estava na Câmara tem o objetivo de provar isso. Aponta, por exemplo, a participação efetiva dele nas CPIs da Saúde (2013), da Assistência Social (2013/14), da Limpeza Urbana (2017) e do Auxílio Atleta (2017). Para Branco, Pupo é “frequentador assíduo das agendas legislativas, em horários coincidentes com os desempenhados como delegado de polícia, em clara incompatibilidade de horários que configuram acúmulo de função”.

A representação entregue à Corregedoria pede a apuração de responsabilidades por ilegalidade e inconstitucionalidade de percepção de vantagens do cargo de delegado, já que ele recebe salário como policial civil e vereador. Pede ainda que seja informada a jornada de Pupo enquanto delegado e que, caso seja configurada a ilegalidade, que sejam devolvidos os vencimentos recebidos como parlamentar e delegado. Sobrou até para as faculdades onde o vereador do PSD leciona: Branco solicitou também a compatibilidade dos horários dele na Unirp e na Unip.

À Coluna, Pupo disse que sua atuação como delegado e vereador é amparada por lei e que tem autorização para acumular os dois cargos. Afirmou ainda que não vai ficar rebatendo ponto a ponto para não alimentar o assunto. E concluiu dizendo que a produtividade do 3º DP aumentou muito depois que ele assumiu. “Não existe milagre, ninguém aumenta a produtividade sem trabalhar. Os números da delegacia respondem por mim”, afirmou.
A palavra final deste embate político – que também rendeu uma Comissão Processante contra Pupo na Câmara – caberá, agora, à Corregedoria da Polícia Civil.

Clique aqui e confira na íntegra a coluna desta sexta-feira (23)

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