Conexão Capivara: Doria, Bolsonaro e rachas

O prefeito de Rio Preto, Edinho Araújo (MDB), emitiu nesta quarta-feira (10) nota oficial dando apoio a João Doria (PSDB) para o governo do Estado e Jair Bolsonaro (PSL) para a Presidência da República. O posicionamento de Edinho veio no mesmo dia em que Paulo Skaf (MDB), candidato a governador derrotado, questionou o caráter do tucano. “Você precisa ter um governador com personalidade, com caráter, que fale a verdade”, afirmou Skaf. “Se alguém tem dúvida do caráter do Doria é só perguntar pro Alckmin”.

Já Edinho pensa diferente do seu companheiro de partido. “Entendemos que João Doria é o candidato ideal no segundo turno por ser o mais preparado, com as melhores propostas para a educação, a saúde e a segurança pública. Destacamos a presença na chapa do vice Rodrigo Garcia, uma das grandes lideranças de nossa cidade”, disse o prefeito, por meio de nota.

Não é novidade nas eleições a ação isolada de políticos que, contrariando as orientações partidárias, dão apoio de acordo com sua conveniência de momento. Mas a disputa polarizada e raivosa deste ano, como não se via desde a eleição de 1989, provocou um autêntico caos e reforçou o sentimento de “cada um por si”. O PSB do governador Marcio França, por exemplo, anunciou que estará com Fernando Haddad (PT). Mas liberou França a ficar neutro. Um apoio dele ao petista poderia custar sua reeleição, já que os eleitores paulistas votaram em peso em Bolsonaro.

Já o PSDB fez o inverso: declarou neutralidade, enquanto seu candidato ao governo do Estado fez juras de amor ao capitão da reserva. A inclinação pró-Bolsonaro de Doria, que teve início ainda no 1º turno, provocou irritação no partido e especialmente em Geraldo Alckmin. Candidato derrotado à Presidência, Alckmin chegou a se referir a Doria como sendo “traidor” em reunião da cúpula tucana nesta terça-feira (9).

Edinho declarou também ontem, que seu voto em Bolsonaro é de acordo com o interesse dos rio-pretenses. “A população de São José do Rio Preto deixou clara sua preferência já no 1º turno, dando ao candidato 63,92% dos votos. Vamos caminhar ao lado da maioria dos rio-pretenses”, disse o prefeito em nota.

As eleições de 2018 implodiram os partidos tradicionais e deram ao antes inexpressivo PSL de Bolsonaro a segunda maior bancada da Câmara dos Deputados, atrás apenas do PT. Mas os efeitos devastadores para as siglas, especialmente o PSDB, não ficaram restritos à representatividade manca a partir de 2019. Cada político, independentemente da orientação da legenda, tem declarado apoio segundo sua própria vontade. Nem eles se entendem. Para o cidadão ver que as discussões fervorosas sobre política não estão restritas às redes sociais e ao grupo da família no Whatsapp.

 

Clique aqui e confira na íntegra a coluna desta quinta-feira (11)

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