Conexão Capivara: Discórdia entre companheiros

Os cartazes de Lula Livre, que roubaram a cena no ato organizado por partidos e movimentos de esquerda de Rio Preto na última quarta (30) em favor dos caminhoneiros, viraram motivo de discórdia entre companheiros e companheiras de plantão.

Representantes do Sindicato dos Correiros, da Atem (entidade sindical que reúne profissionais de educação da rede municipal), do PSTU e do movimento Conlutas divulgaram nota no dia seguinte em repúdio ao PT e à CUT que, segundo eles, “transformaram a luta dos trabalhadores em campanha para o ex-presidente petista”, condenado e preso por corrupção e lavagem de dinheiro.

A manifestação, que reuniu cerca de 100 pessoas, ocorreu em frente à Câmara Municipal, região central de Rio Preto. As críticas aos petistas e aos dirigentes da Central Única dos Trabalhadores foram pesadas. “Para surpresa de todos os ativistas honestos que compareceram à manifestação, os companheiros e companheiras fizeram uma forte campanha pelo Lula Livre, desviando o foco do ato e dividindo o movimento.”

Ainda segundo os signatários do documento, “muitas pessoas foram ao ato acreditando que era em defesa dos trabalhadores acabaram decepcionadas por verem que se tratava de um ato eleitoreiro”. “Alguns professores e trabalhadores dos correios foram embora e se juntaram a outro ato, que foi chamado pelos setores que defendem a intervenção militar.”

O presidente do PT em Rio Preto, Carlos Henrique, apontou incoerência na fala dos companheiros mais à esquerda. “A democracia nem sempre tem o respeito dos que supostamente a exigem ruidosamente. O ato contou com presença de representantes de diversas entidades sociais e sindicais, as quais usaram da palavra livremente, conforme previamente combinado. E a maioria das falas manifestou preocupação com a possibilidade de ausência de democracia na próxima eleição. O entendimento geral é que Lula é um preso político condenado em um processo viciado cujo objetivo é retira-lo do processo eleitoral. Atos democráticos, sem censura, são assim.”

O segundo ato ao qual os representantes dos sindicatos dos professores e dos funcionários dos Correios se referem já encerra em si um desafio gigante para o cidadão comum, que tenta de longe entender a doideira política que virou o levante dos caminhoneiros. Representantes de esquerda e da direita se diziam solidários aos protestos que pararam as ruas, mas cada lado levou a reboque para as ruas demandas totalmente inconciliáveis.

Na noite da terça (29), um grupo de apenas 30 ciclistas logo atraiu outras 600 pessoas, que marcharam pela Andaló com cartazes de Intervenção Militar Já. Isso mostra que a esquerda precisa urgentemente de uma bandeira comum que a una e que desperte entusiasmo. E, pelo que ficou bem claro no bate-boca acima, Lula Livre não tem esse poder na terra das capivaras.

Clique aqui e confira na íntegra a coluna deste sábado (02)

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