Conexão Capivara deste sábado (02)

 CAFEZINHO A presença parlamentar foi esvaziada, mas significativa, ontem (1) durante a apresentação da Conjuntura Econômica 2017 no gabinete do prefeito Edinho Araújo (PMDB). Além de dois vereadores da base aliada, Jean Charles (PMDB) e Jorge Menezes (PTB), também deram as caras Fabio Marcondes (PR) e José Carlos Marinho (PSB). Estes dois últimos não participaram da pizzada de terça-feira (29). Marinho, aliás, aproveitou o momento para fazer troça. Ao final da apresentação, perguntou várias vezes ao secretário de Governo, Jair Moretti, se ele queria um cafezinho. “Pode dizer, eu trago o cafezinho para você”. Resta saber se seria amargo ou com muito açúcar.

Análise – Escola Sem Partido, a polêmica

Causou polêmica enorme entre educadores o projeto Escola Sem Partido do vereador Jean Dornelas (PRB), que pretende acabar com o que ele chama de “doutrinação em sala de aula”. A verdade é que, no entendimento de profissionais da área da educação, o programa caminha justamente na direção oposta.

A reação do Sindicato dos Servidores Municipais de Rio Preto foi imediata e concreta. Nem esperou pelos inevitáveis embates que se darão no âmbito do Legislativo e partiu direto para a Justiça, numa interpelação judicial contra a instalação do programa na rede municipal de ensino. Em entrevista à rádio CBN, o professor Eugênio Maria Duarte comparou a proposta com iniciativas de Hitler da Alemanha nazista dos anos 30 e 40. “O que querem é fazer uma escola de um partido único, totalitário, que não aceita a diversidade”, afirmou. E aí entra uma incoerência enorme do vereador que milita em um partido, o PRB, ancorado em uma denominação religiosa, a Universal do Reino de Deus.

O Brasil é um Estado laico, mas desde sempre a religião se enfiou nas questões que regem a vida dos cidadãos, independentemente das crenças de cada um. Antes, com mais força, a Igreja Católica. Agora, mais organizados e com fortes bancadas no Congresso Nacional, também os evangélicos. E é das bancadas da fé, por exemplo, que partem iniciativas como ensino religioso nas escolas, leis contra o aborto, contra pesquisas com célula-tronco, contra união homoafetiva, contra uso da pílula do dia seguinte, contra a criminalização da homofobia, entre tantas outras.
Neste caso, o nobre vereador e o partido que ele representa não veem doutrinação.

O grande problema hoje é que o programa Escola sem Partido é defendido por grupos que não se furtam de impor suas regras à sociedade e rejeita com veemência quem pensa diferentes deles. E imaginar que a sala de aula tenha filtros sobre o que pode ser dito ou não é temerário demais. Cidadania, democracia, respeito ao pensamento alheio, entendimento da diversidade cultural, conhecimento global e capacidade de ver o mundo em várias vertentes são fundamentais na formação de qualquer criança ou jovem no mundo de hoje, algo que só se atinge em um ambiente de liberdade plena de ideias, e não com amarras.

Confira na íntegra a página impressa da CONEXÃO CAPIVARA deste sábado (02) – Clique aqui

COMPARTILHAR

SEM COMENTÁRIOS