Conexão Capivara desta terça-feira (12)

Céu de brigadeiro – A prisão do empresário da J&F Joesley Batista neste final de semana deixou animada a base do presidente Michel Temer (PMDB) em Brasília. O deputado Fausto Pinato (PP), que acaba de voltar de um passeio com o chefe do Executivo pela China, por exemplo, acredita que a reviravolta no caso “enfraquece a acusação contra o peemedebista e fortalece a tese de conluio para fazer uma armação”. No entanto, o deputado, que também votou contra investigação de Temer na primeira denúncia do procurador-geral da República, Rodrigo Janot, assegura o discurso politicamente correto: “Mas tudo deve ser rigorosamente investigado para não pairar dúvidas”. Então, tá. Ele acha ainda que a onda é tão favorável que até as reformas econômica e política vão, enfim, sair. Já o prefeito Edinho Araújo, outro observador atento da cena política na capital da República, preferiu guardar suas opiniões para si, mesmo procurado pela coluna para avaliar o cenário.  Vale o registro de que o rio-pretense Danilo Campetti foi um dos agentes da Polícia Federal que escoltaram o homem de São Paulo a Brasília.

Análise: Pôncio Pilatos

Absolutamente nada justifica que a Prefeitura tenha deixado mais uma vez, a exemplo do que ocorreu na última quarta-feira (6), mais de 3 mil alunos sem transporte escolar. Não cola julgar a culpa na Comatic (antiga empresa que fornecia os motoristas), na Staffs (empresa que atua em caráter emergencial) ou no raio que o parta: a culpa é única e exclusivamente da Secretaria de Educação.
Esse é uma das facetas do atual governo que precisam ser revistas: a administração se perde em burocracia, preocupada em leis, contratos, acordos, pagamentos etc, e se esquece do principal: atender a população decentemente. É obrigação do município realizar o transporte dessas crianças e adolescentes. Ponto. Se há falha nesta prestação de serviço, quem está falhando é a Prefeitura.

A nota oficial da secretaria sobre este assunto demonstra a frieza com que este e outros assuntos são tratados, de maneira tecnicista. Diz que a paralisação “ocorreu por problemas trabalhistas entre os motoristas e a antiga empresa que prestava o serviço” e que “a Secretaria vem mantendo contatos frequentes com a Comatic”. Finaliza informando que “adotou e está adotando todas as providências para garantir o funcionamento normal do transporte escolar”. Parece até que a Prefeitura é um mediador ou algo assim, como se nada tivesse a ver com isso – dá a entender que é um problema exclusivo da Comatic e dos motoristas. Pergunta: e o problema dos pais que tiveram de deixar de trabalhar pela falta dos ônibus? E as crianças que estão perdendo aula? Quem será que é responsável por cuidar desses problemas?

O mais absurdo nesta história toda é que a Prefeitura demorou quase uma semana para se mexer. Porque a primeira paralisação ocorreu no dia 6 e o sindicato que representa os motoristas já tinha anunciado que, se nada fosse feito, cruzariam os braços novamente na segunda-feira (11). E o que a Secretaria de Educação fez neste período? Absolutamente nada. Emendou o 7 de Setembro – afinal, trabalhar numa sexta-feira pós-feriado é coisa de trabalhador comum, para servidor público é folga garantida.

É preocupante ver como a Educação municipal anda mal servida. Atrasos na entrega de uniforme, interrupção no serviço de limpeza das escolas e agora suspensão do transporte escolar. Não é trocando secretário que isso vai mudar: é preciso parar com a síndrome de Pôncio Pilatos e insistir em lavar as mãos para tudo.

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