Conexão Capivara desta sexta-feira (01)

NOSTRADAMUS? Já teve placa colocada em obra após seu início. Já teve placa com o nome do prefeito de plantão para saudar os munícipes. E já teve placa – isso tem de monte, aliás – anunciando uma data para o término da obra, sendo que ela só foi concluída anos depois. Agora colocar a placa de uma obra cinco meses antes do seu início é meio que inédito. Pois aconteceu com o Semae, que afixou dizeres sobre a construção de emissários de esgoto na Represa Municipal. Mas as obras só terão início em janeiro de 2018. Isso que é tentar faturar com antecedência, não?

Análise – Só não vale reclamar depois

Depois de palestrar no XI Congresso da AMA nesta quarta-feira (30), o ex-deputado federal Roberto Jefferson (PTB) deu uma esticadinha até um dos mais populares restaurantes da região, a Porcada de Bady. E lá, o homem-bomba do mensalão, escândalo que fez o petista José Dirceu, entre outros, inaugurar sua jornada de presidiário por atos de corrupção, teve tratamento de celebridade global.

O petebista arrancou aplausos dos presentes, fez selfie, deu autógrafos, abraçou e foi abraçado. Só faltou cantar, outro de seus propalados talentos. O sorriso esticado, meio Coringa do Batman, meio efeito colateral do botox, ficou ainda mais largo. Afinal, depois de uma temporada de cárcere (sim, ele também foi condenado no processo que detonou), Roberto Jefferson está na ativa de novo. E atrás de votos. Quer voltar a Brasília como deputado federal.

Entre outros “serviços prestados” à Nação, Roberto Jefferson integrou a tropa de choque que tentou, sem sucesso, barrar o impeachment de Fernando Collor. Em 2004, aliou-se ao PT de Lula em troca de dinheiro. Quando se viu diante do risco de uma CPI rumorosa, e em rota de colisão com José Dirceu, entregou o esquema petista de pagar mesada a deputados aliados. Em 2005 teve o mandato de deputado cassado e perdeu os direitos políticos por oito anos. Mas não perdeu a aposentadoria como parlamentar.

Em 2012, o STF o condenou a mais de dez anos de prisão. Beneficiado pela delação premiada, ele pegou pouco mais de sete anos em regime semiaberto. Em 2015 passou para o regime aberto e, em 2016, sua dívida com a Justiça foi considerada quitada.
Com tal currículo e o discurso de que conseguiu ver antes de todo mundo o mal que o PT representava, Roberto Jefferson, neto, filho e pai de políticos tradicionais no Rio de Janeiro, transferiu seu domicílio eleitoral para São Paulo.

Não faltam exemplos de que a estratégia pode dar certo. Fernando Collor de Mello está ai para provar o quanto o brasileiro perdoa fácil seus políticos. Lula também anda sendo festejado no Nordeste. Abraçar ou não Roberto Jefferson é um direito inalienável de qualquer cidadão. Assim como votar nele. Só não vale depois gritar no Facebook que “esses caras de Brasília” não nos representam.

Confira na íntegra a página impressa da CONEXÃO CAPIVARA desta sexta-feira (01) – Clique aqui 

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