Conexão Capivara desta quinta-feira (30)

 

ANÁLISE

Dois pra um

Que a Prefeitura de Rio Preto está vivendo uma crise financeira profunda, não é novidade. E que, por conta disso, o Executivo planeja uma demissão em massa dos chamados Anjos da Guarda. O que muito provavelmente a população não sabe é o real custo desses terceirizados em comparação aos valores pagos pela Prefeitura aos chamados apadrinhados – cargos de livre nomeação do prefeito Edinho Araújo (PMDB), muitos deles preenchidos por indicação política de vereadores. A proporção é praticamente de dois para um: o salário de um apadrinhado equivale ao de dois terceirizados. Isso, claro, na média. Dados fornecidos pela Secretaria de Administração revelam que, ao mês, a Prefeitura gasta R$ 8,3 milhões para manter 2.962 terceirizados que fazem, entre outros serviços, o de zeladoria (Anjos da Guarda) e de limpeza das escolas. A média é de R$ 2,8 mil com cada terceirizado. Pois bem.

Salário médio gasto pela Prefeitura com um apadrinhado seria suficiente para evitar a demissão de dois terceirizados

O gasto mensal total com os apadrinhados é mais modesto – R$ 1,1 milhão. Ocorre que esse dinheiro é repassado para apenas 217 funcionários – o que dá uma média de R$ 5,4 mil. Numa hipotética situação, a demissão de um apadrinhado “salvaria” o emprego de dois terceirizados. Mas isso nem passa pela cabeça do prefeito Edinho Araújo (PMDB). Ele já disse que Rio Preto é uma das cidades mais enxutas em número de comissionados e que não cogita a demissão de ninguém. É óbvio que, ainda que os 217 fossem exonerados, a situação financeira da Prefeitura não seria resolvida. Mas já seria um indicativo de que Edinho estaria disposto a cortar na própria carne para dar sua cota pessoal de colaboração com as finanças do município. Por falar em cortar na própria carne, fica aí a sugestão para os vereadores que têm se autoproclamado defensores dos Anjos da Guarda. Querem ajudar esses funcionários? Pois bem, peçam então a demissão dos seus apadrinhados políticos. A conta é essa: cada comissionado custa dois terceirizados. Seria uma forma de garantir o emprego de dois Anjos da Guarda ao custo de um apadrinhado que, muitas vezes, não tem sequer competência técnica para ocupar o cargo em que está. Mas o preço é alto demais para a Câmara. É alto demais para a Prefeitura. E o pato será pago pelos terceirizados. Integralmente.

O ADEUS DE ESIO

Saiu publicado hoje aqui no Diário Oficial a demissão a pedido de Esio Pereira Filho do Procon. Ontem (29), Esio usou as redes sociais para falar sobre sua saída. Nada de metralhadora giratória desta vez: agradeceu ao prefeito Edinho Araújo (PMDB) e fez um balanço sobre os oito meses que esteve à frente do Procon. Sobre o real motivo da sua exoneração, só uma menção bem vaga, ao agradecer “membros da imprensa que demonstraram total apoio em relação ao ocorrido”.

OS NOMES DE JEAN 

Com a saída de Esio, cabe ao vereador Jean Dornelas (PRB) indicar o nome do novo titular do Procon de Rio Preto ao prefeito Edinho Araújo. Esta é a parte que lhe cabe no latifúndio de cargos da administração municipal.  E o vereador quer que um de seus dois assessores de gabinete na Câmara ocupe o posto. Afinal, confiança é tudo nessas coisas de política. No caso, os cotados são o também professor de jornalismo Arnaldo Freitas Vieira e Marcos Roberto Cardoso, o Marquinhos. Este último tem formação em direito. Os dois até já foram comunicados pelo vereador que estão em alta para a função e gostam muito da ideia. Resta saber, agora, qual deles Edinho compra. Ou se descarta ambos.

BEBIDA, NÃO

O prefeito Edinho fez um agrado ao vereador Fabio Marcondes (PR) ao sancionar lei de autoria do parlamentar que proíbe a venda de bebidas alcoólicas no terminal rodoviário. Não que a regra não tenha lá seu mérito, mas é discutível sob o ponto de vista da legalidade, já que qualquer regulamentação ali deveria partir do Executivo, não do Legislativo. Essa o prefeito deixou passar.

REDUNDÂNCIA

Pelo jeito os servidores da Associação de Trabalhadores em Educação Municipal (Atem) não confiam mesmo no prefeito Edinho. Um dia depois de a Prefeitura ter enviado projeto que destina R$ 155 milhões à Riopretoprev, dinheiro que estava com o Ipesp, representantes da Atem levaram faixas ontem (29) na Câmara exigindo que o dinheiro do Ipesp… vá para a Riopretoprev. Deve ser só para garantir.

ADIADA

A cirurgia do médico Eleuses Paiva no hospital Sírio Libanes, em São Paulo, que estava marcada para a tarde desta terça-feira (29) foi adiada para quinta-feira (31). O vice-prefeito, que pediu exoneração temporária da pasta da Saúde para se submeter à retirada de um pólipo na vesícula, passa bem e aguarda conclusões de exames finais de preparação, segundo assessores e amigos mais próximos.

TERMINOU EM PIZZA

E nada melhor que comemorar a nova lua-de-mel entre Edinho e os vereadores com o prato preferido da Câmara: pizza. Ontem, após a sessão, o prefeito se reuniu com 12 vereadores na pizzaria San Remo para “estreitar os laços”. Os únicos ausentes foram Paulo Pauléra (PP), Fabio Marcondes (PR), José Carlos Marinho (PSB), Gerson Furquim (PP) e Marco Rillo (PT). Até o antes relutante Francisco Júnior (DEM) deu as caras. Cardápio regado a muita pizza e política, claro.

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