Conexão Capivara: Derrota assegurada

Não tem mais como o prefeito de Rio Preto, Edinho Araújo (MDB), virar o jogo. Nem empatar. A crise envolvendo a AACD já é um jogo perdido para o prefeito, qualquer que seja a decisão tomada hoje (19) ou nos próximos dias.

São duas as hipóteses: ou ele mantém a decisão de reduzir os repasses de R$ 100 mil para R$ 42 mil feitos à entidade. Ou ele recua e desautoriza o corpo técnico da Secretaria de Saúde. De qualquer forma, o estrago político já foi feito.

Ontem (18) foi um dia de intensas movimentações na Câmara e na Prefeitura. Os vereadores se reuniram, quebraram o pau e resolveram – com exceção de Fabio Marcondes (PR), Anderson Branco (PR) e Jorge Menezes (DEM) – se reunir com o prefeito hoje às 15h. Marcondes, Branco e Menezes faziam questão que a presidente da AACD, Adriane Cirelli, também participasse deste encontro, o que foi negado pelos demais parlamentares. Já pelos lados da Secretaria de Saúde, quem deu as caras foi o vice-prefeito licenciado Eleuses Paiva (PSD), muito criticado pela própria Adriane durante fala dela na sessão da Câmara na última terça-feira (17).

Não é a primeira vez que a AACD busca apoio político para tentar manter as portas abertas. No início de 2014, o então prefeito Valdomiro Lopes (PSB) chegou a reduzir de R$ 150 mil mensais para R$ 50 mil o repasse realizado pelo município, com o mesmo argumento utilizado agora por Edinho: de que o valor estava muito acima dos atendimentos prestados pela AACD a pacientes de Rio Preto. Depois de muita pressão, Valdomiro recuou parcialmente e o repasse foi reajustado em R$ 100 mil.

Na campanha de 2016, Edinho não poupou críticas ao antecessor, dizendo inclusive que a situação da entidade era de penúria. E lembrou que foi ele, no seu segundo mandato como prefeito, que trouxe a AACD para Rio Preto. Disse mais: no “compromisso de Edinho”, garantiu que iria valorizar a entidade e trabalhar para buscar recursos estaduais e federais para a AACD. Algo que, pelo que consta, ficou mesmo só no campo das promessas eleitorais.

Um recuo que garanta o repasse de R$ 100 mil pode estancar o desgaste político até certo ponto. Mas, em contrapartida, poderá custar a saída do assessor especial Antonio Baldin, que foi quem apontou que o valor está em desacordo com uma lei federal. Também mostrará uma inabilidade política incrível do prefeito, já que provocou todo rebuliço para depois manter tudo como era. Não bastasse isso, poderá expor Edinho a uma possível ação por improbidade administrativa por descumprir a lei 13.019/2014.

Caso não haja recuo, sua situação jurídica pode ficar mais estável, mas politicamente o estrago será certamente maior. Edinho corre o risco de ficar conhecido como o prefeito que abriu e fechou a AACD no município, acumulando um desgaste que já herdou com a falência do hospital Ielar no ano passado. Um fechamento que deixará milhares de crianças com deficiência sem possibilidade de atendimento. Tudo isso, repita-se, por se recusar a repassar pouco mais de R$ 58 mil mensais à entidade – uma gota no oceano perto de um orçamento anual que beira os R$ 2 bilhões.

Edinho já perdeu esta partida. Resta saber se será de pouco ou de goleada.

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