Conexão Capivara: Demorados e mais caros

Inicialmente orçada em R$ 53,7 milhões, a construção dos corredores de ônibus de Rio Preto, a cargo da Constroeste, já bate na casa dos R$ 63,5 milhões e a conclusão é adiada pela terceira vez pela Secretaria de Obras do município.

A nova data prevista para a entrega das nove faixas exclusivas a veículos de transporte coletivo, abrangendo 15 ruas e avenidas da cidade, é dezembro de 2018. O edital de prorrogação das obras foi publicado no Diário Oficial do Município nesta quinta (7).

Os corredores de ônibus fazem parte de um pacote milionário de benfeitorias de mobilidade urbana bancado com recursos da Caixa Econômica Federal a fundo perdido, que engloba ainda outras duas obras: o novo terminal urbano na Praça Cívica (em andamento) e o viaduto João Mesquita (concluído).

Considerado um dos grandes projetos da administração Valdomiro Lopes (PSB), o processo, acelerado pelo calendário eleitoral de 2016, tem sido alvo de remendos, atrasos, críticas e bate-boca político.

No caso dos corredores de ônibus, por exemplo, a ordem de serviço foi assinada em agosto de 2016 com término previsto para março de 2017. Foi quando, com Edinho Araújo (MDB) na prefeitura, veio a primeira prorrogação de seis meses, ou seja, com conclusão para outubro daquele ano. Em meio a uma série de contratempos, o término foi, então, adiado para maio de 2018. E desta vez, para dezembro deste ano.

No início do ano, a Constroeste recebeu um reajuste no valor do contrato em torno de R$ 2 milhões. Outros R$ 8,4 milhões foram incluídos no preço inicial da obra na forma de aditivo, com a justificativa de que o projeto precisava ser corrigido. Entre falhas apontadas, estavam os vãos deixados entre a pista de rolamento e a calçada em pontos como a avenida Bady Bassitt.

A Secretaria de Obras diz que o novo adiamento se deve “à necessidade de inclusão de novos serviços necessários para a conclusão, como alteamento das guias e calçadas acessíveis”. Apesar do atraso de mais de um ano no término, apenas 43% de todo o projeto está concluído, segundo a administração municipal. Ou seja, faltam ainda 57%, mais da metade para o serviço ficar completo.

Questionada sobre a previsão de novos aditivos no valor do contrato com a Constroeste, a prefeitura informa que “não há previsão de necessidade até o momento”.

O processo também não caminhou conforme o planejado nas duas outras obras do pacote. O viaduto da João Mesquita, por exemplo, tinha um orçamento inicial de R$ 7,7 milhões e previsão de conclusão para dezembro de 2016. Foi entregue em abril deste ano, um atraso de 16 meses, ao custo de R$ 9,8 milhões. O novo terminal é outro enrosco ainda em andamento. O valor de licitação foi de R$ 47,7 milhões, em abril o contrato estava em R$ 58,5 milhões. E o término foi esticado. Iniciada em novembro de 2015, a obra deveria ter sido entregue em novembro de 2016, mas acabou prorrogada para junho de 2019. Todo o pacote de mobilidade está a cargo da Constroeste.

Diante de tanta morosidade e aditivos contratuais, uma verdadeira guerrinha se dá no âmbito político. Valdomiro Lopes, que não elegeu o sucessor, diz que falta gente na administração atual para tocar obras de “de tamanha magnitude”. O governo de Edinho rebate afirmando que encontrou problemas nos projetos e falhas na execução que estão sendo corrigidos ao longo do processo. Enquanto isso, a população se vê refém do desconforto de construções que nunca acabam e ainda por cima paga a conta cada vez mais cara.

Os nove corredores de ônibus

1 – Ruas Pedro Amaral e João Mesquita

2 – Ruas General Glicério e Bernardino de Campos até a Fernão Dias (Maceno)

3 – Ruas XV de Novembro e Antônio de Godoy

4 – Avenida Alberto Andaló

5 – Avenida Bady Bassitt

6 – Avenida João Bernardino de Seixas Ribeiro

7 – Ruas Bernardino de Campos e General Glicério (Centro)
8 – Avenida Mirassolândia

9 – Avenida Philadelpho Gouvea Neto

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