Conexão Capivara de sábado (9)

Dá a receita, Bolçone – O aniversário de 107 anos de Mirassol, comemorado nesta sexta (8), teve bolo, banda, bexigas e Bolçone. Isso mesmo, o deputado estadual do PSB, que ultimamente não anda perdendo nem reunião de condomínio, foi quem fez a festa na Cidade Amiga. Político de maior expressão presente ao evento, ele deitou e rolou nos selfies, teve direito a discurso e saiu abraçando todo mundo.  “Tinha que dar uma passada, os meninos – o prefeito André Vieira (PTB) e o vice Tiago Rodrigues (PSD) – foram meus alunos”, justificou o parlamentar. Detalhe, o horário do almoço nem tinha chegado e esse já era o segundo tópico da agenda do dia, que prometia ser longo. A pergunta que não quer calar: o que o Orlando Bolçone, sempre meio câmera lenta, anda tomando para ficar assim, tipo ligado no 110? Sim, 110.  Porque 220 já é pedir demais, né?

A peraltice do menino Palocci

E o menino Palocci resolveu soltar a língua. O ex-ministro, que foi ouvido pelo juiz Sergio Moro em inquérito que apura o pagamento de R$ 12 milhões de propina da Odebrecht para Lula, falou muito mais do que se esperava dele. Não só confirmou os R$ 12 milhões como acrescentou a reforma do sítio de Atibaia e revelou um tal “pacto de sangue” feito entre o ex-presidente e Emilio Odebrecht. Por esse pacto, o empreiteiro passaria R$ 300 milhões em propina que ficariam à disposição de Lula e do PT.

Em troca, a Odebrecht continuaria sendo favorecida nos contratos da Petrobras. O depoimento de Palocci é o mais bombástico feito contra seu partido até agora. Provas não foram apresentadas ainda, por não se tratar de uma delação. Mas Palocci – que confirmou ser o Italiano das planilhas da Odebrecht – deu sinais de que está a fim de contar tudo.

O ex-ministro é um dos próceres da era petista. Teve uma ascensão meteórica na política: foi eleito vereador em Ribeirão Preto aos 28 anos. Dois anos depois se tornava deputado estadual e aos 32 anos assumia a Prefeitura de Ribeirão. Era quase um antípoda de José Dirceu dentro do PT: enquanto o primeiro se destacava pela virulência guerrilheira nos seus posicionamentos políticos, Palocci mantinha a fala mansa e o semblante sereno.

Era o interlocutor de Lula no primeiro mandato com a classe empresarial e convenceu o mundo financeiro de que o petista, uma vez empossado, não daria um cavalo de pau na economia do País. Chegou a ser nomeado ministro da Casa Civil por Dilma Rousseff – e há quem diga que, se permanecesse no cargo, o governo dela seria menos desastroso. Pois justamente ele, que era chamado carinhosamente de “menino Palocci” por Lula, resolveu contar tudo. O objetivo é claro: tentar acelerar o acerto da sua delação premiada, tornar-se um colaborador da Justiça e reduzir a pena.

É bom lembrar que o ex-ministro está preso desde o ano passado. O que Palocci disse e o que ele tem a dizer devem ter dois efeitos devastadores: um jurídico e outro político. O primeiro poderá demorar muito a ter resultado, já que o julgamento deve se arrastar por anos. Já o resultado político é imediato: qual petista terá condições de refutar Palocci? Ele que era o homem da mais estreita confiança de Lula? O baluarte da Era Petista? O grande articulador político e econômico do PT? Palocci não é mais o menino de Lula. Assumiu de vez, para desespero dos petistas, a alcunha de Italiano.

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