Conexão Capivara: De quem é a culpa?

Em menos de uma hora, uma chuva de 64 milímetros colocou em xeque uma obra de R$ 165 milhões que levou anos para ser concluída. Esse é o saldo do temporal que atingiu Rio Preto na quinta-feira (30) e deixou avenidas alagadas, carros ilhados e a sensação de que o rio-pretense já viu esse filme. Rio Preto gastou uma fortuna de R$ 165 milhões para a conclusão dos canais antienchente na cidade, nos córregos Canela (Alberto Andaló) e Borá (Bady Bassitt). Mesmo assim, a cidade respondeu muito mal à chuva de quinta-feira. Sim, é fato que a construção das avenidas Andaló e Bady em fundo de vales e a impermeabilização do solo são fatores que tornam praticamente impossível zerar o problema das enchentes na cidade. Elas vão sempre existir – durma-se com um barulho desses. Ocorre que não é razoável um estrago tão grande, como o verificado na última quinta-feira, após tantos milhões enterrados no solo.

Agora, as versões. O engenheiro Pedro Zacarin, responsável técnico pelas obras, apresentou sua versão. Disse que a macrodrenagem (os piscinões) aguentou bem, mas o problema ocorreu na microdrenagem – ou seja, nas bocas de lobo que fazem a água escoar. Afirmou que poderia sim ser efeito da sujeira acumulada no local, mas destacou que seria “praticamente impossível” para a Prefeitura limpar todas as bocas de lobo do município.

Já o ex-prefeito Valdomiro Lopes (PSB), que construiu os canais, tem sua visão sobre o assunto. Ou melhor, previsão: “Vou fazer uma vacina aqui, fazer prevenção: deixei entre R$ 1,5 milhão e R$ 2 milhões de recursos no orçamento para fazer a manutenção das obras antienchente. Os piscinões e as bocas de lobo precisam ser limpos na época da seca. Se deixarem de fazer isso de forma proposital para que volte a ter problemas, não podem culpar o meu governo”. O trecho é de entrevista concedida pelo ex-prefeito em 25 de agosto à rádio CBN. Para Valdomiro, havia má vontade do prefeito Edinho Araújo (PMDB) na manutenção dos canais.

Edinho, obviamente, segue por outro caminho. O prefeito solicitou à Secretaria de Obras relatório completo do projeto antienchente para análise, para saber se realmente as obras milionárias são efetivas. Paralelo a isso, a Câmara também fez questionamentos: o vereador Renato Pupo (PSD) protocolou requerimento ao Executivo solicitando informações sobre a limpeza das bocas de lobo da cidade. Jorge Menezes (PTB) solicitou à Secretaria de Planejamento quais medidas foram adotadas por Edinho entre 2001 e 2008 para combater as enchentes.

Como se vê, muitas versões e nenhuma conclusão. Já que versões não levam a lugar algum, encerremos com fatos: o rio-pretense não aguenta mais ser tapeado. Não suporta ter de conviver com o mesmo jogo de empurra entre as autoridades. A sensação é a de que R$ 165 milhões escorreram pelo ralo. E isso é fato.

Clique aqui e confira na íntegra a coluna deste sábado (02)

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