Conexão Capivara: De lavada

Não pairava qualquer dúvida de que o requerimento para a instalação de uma Comissão Processante (CP) contra o prefeito de Rio Preto, Edinho Araújo (MDB), seria rejeitada com facilidade pela Câmara. A CP foi proposta pelo vereador Marco Rillo (PT) com base no relatório final da CPI da Emurb, que comprovou o desvio de finalidade dos R$ 350 mil repassados pela Prefeitura à empresa, dinheiro que teoricamente deveria ser investido na implantação da Área Azul Digital, mas acabou sendo empregado no pagamento do salário dos funcionários. A rejeição da Comissão Processante ocorreu na sessão desta terça-feira (4), por 13 votos a 2. Mas vale ressaltar o comportamento de três vereadores durante a votação.

Fabio Marcondes (PR) atuou como um autêntico líder do governo no plenário. Ele questionou o quórum para aceitação da denúncia contra Edinho que, de acordo com o Regimento Interno, deveria ser maioria absoluta (9 dos 17 vereadores). Foi alegada a “simetria constitucional”, já que a Constituição Federal e a Constituição do Estado preveem que, para abrir um processo contra um presidente ou um governador, é necessário o voto de 2/3 do Legislativo. O presidente da Câmara, Jean Charles (MDB), acatou a observação, colocou o questionamento de Marcondes em votação e, num piscar de olhos, os vereadores decidiram que, daqui para frente, a abertura de Comissão Processante contra um prefeito precisa de 12 votos para ser aceita, e não mais 9.

Dhoje Interior

Se Marcondes se destacou pela defesa do governo, Jorge Menezes (PTB) foi notório pelo silêncio. No fim de 2017, ele vivia às turras com o Executivo e elaborou a emenda – aprovada pela Câmara – que vinculava o repasse dos R$ 350 mil à aplicação integral do valor na Área Azul Digital. Na época, chegou até em falar em improbidade de Edinho, caso o dispositivo não fosse cumprido à risca. Mas a política é como as nuvens. Ontem, não deu uma palavra para exigir o cumprimento da sua própria emenda. Apenas disse não à Comissão Processante proposta por Rillo.

Por fim, Renato Pupo (PSD) homologou seu rompimento com o governo ao votar a favor da CP contra o prefeito. O estremecimento que já tinha sido notado na semana passada, quando se posicionou contra pacote de projetos do Executivo para incorporação de áreas no perímetro urbano, chegou ao ápice na noite desta terça-feira. No seu discurso, afirmou que seu voto contra Edinho não significava mudança de lado, mas coerência com seu posicionamento a favor de qualquer investigação. Mas a verdade é que o apoio político-eleitoral dado pelo prefeito e pelo vice Eleuses Paiva (PSD) à candidatura a deputado estadual de Edinho Filho (MDB), em detrimento da sua campanha, rompeu qualquer laço de lealdade que Pupo mantinha com o Executivo.

No final, a famigerada emenda de Menezes era só uma graça para inglês ver. Não teve efeito prático algum. A situação de Edinho na Câmara nunca foi tão tranquila desde que reassumiu o município em janeiro de 2017.

VOTAÇÃO DA COMISSÃO PROCESSANTE CONTRA EDINHO
Contra
Anderson Branco (PR)
Celso Peixão (PSB)
Claudia de Giuli (PMB)
Fabio Marcondes (PR)
Francisco Junior (DEM)
Karina Caroline (PRB)
Jean Charles (MDB)
Jean Dornelas (PRB)
Jorge Menezes (PTB)
José Carlos Marinho (PSB)
Paulo Pauléra (PP)
Renan Marino (PRP)
Zé da Academia (DEM)

A FAVOR
Gerson Furquim (PP)
Renato Pupo (PSD)
*Márcia Caldas (PPS) estava ausente
** Marco Rillo (PT), autor do pedido de Comissão Processante, não vota

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