Conexão Capivara: De goleada

Mês de Copa do Mundo, junho não está sendo fácil para Francisco Júnior (DEM). O parlamentar tem sofrido aperto quando o campo é a Justiça. Após ser denunciado no início deste mês pelo promotor Claudio Santos de Moraes por improbidade administrativa, agora foi a vez de o juiz da 5ª Vara Criminal, Cristiano Mikhail, condenar o vereador rio-pretense por condescendência criminosa.

O parlamentar foi acusado pelo promotor Sergio Acayaba de Toledo de abafar o caso envolvendo o ex-técnico de vôlei Paulo César da Silva, que desviava parte do dinheiro do auxílio-atleta – benefício pago pela Prefeitura – destinado a jogadoras. Júnior, que ocupou a Secretaria de Esportes durante o governo Valdomiro Lopes (PSB), ficou sabendo pelas próprias atletas que a irregularidade ocorria. Inclusive elas mostraram a ele um vídeo no qual Paulo César recebe um envelope – provavelmente com dinheiro – das meninas. A única medida tomada pelo então secretário de Esportes foi afastar o técnico, sem que a prática fosse denunciada à polícia ou ao Ministério Público.

O juiz viu omissão de Júnior no episódio. “Após tomar conhecimento de tais denúncias graves e com grandes indícios de veracidade, Francisco Júnior, ao invés de comunicar o fato ao Ministério Público ou à autoridade policial, ou instaurar procedimento administrativo comunicando o procurador do município ou até mesmo o prefeito municipal, relatou ao técnico do time, denunciado pelas atletas, o teor das denúncias, desrespeitando a lei penal e a legislação municipal, frustrando a apuração dos fatos” afirmou Mikhail. “Inacreditável que denúncia tão grave e lesiva às atletas e aos cofres públicos fosse descartada apenas por uma verificação rápida e desatenta do secretário de Esportes”.

Nem mesmo a afirmação do vereador de que o desvio de dinheiro pago às atletas não era do seu conhecimento convenceu o juiz. Aliás, o contrário. “Observo que, em seu interrogatório, o acusado Francisco Júnior frisou que tal prática ocorria sem sua ciência ou autorização, alegação esta muito comum nos vários casos de corrupção que estão sendo apurados em todo País”, escreveu o juiz, que ainda acusou o vereador de tentar “ludibriar as atletas” para “abafar o caso”.

Júnior foi condenado por condescendência criminosa – “deixar o funcionário, por indulgência, de responsabilizar subordinado que cometeu infração no exercício do cargo ou, quando lhe falte competência, não levar o fato ao conhecimento da autoridade competente” – a 20 dias de detenção, pena substituída pelo pagamento de cinco salários mínimos.

O vereador, que não atendeu às ligações da coluna, comandou a Secretaria de Esportes entre janeiro de 2014 e abril de 2016. Período relativamente curto, mas que já rendeu, além da condenação agora, duas denúncias por improbidade administrativa e uma investigação na Justiça Eleitoral por compra de votos. Sem contar um pedido de Comissão Processante na Câmara, que foi barrada pela maioria dos vereadores. No quesito Justiça, Júnior está perdendo de goleada. Fora o baile.

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