Conexão Capivara: De circos e hospícios

Foto: Bia Menegildo

Se cobrir com lona, vira circo; se trancar a porta, vira hospício. Essa é a realidade da Câmara de Rio Preto, que ontem (3) deu mais um show de insensatez, baixaria e violência, com troca de agressões verbais que por pouco – por muito pouco – não se transformou em pancadaria generalizada.

Tudo começou com a discussão sobre a formação de uma Comissão Especial de Vereadores (CEV) que teria como objetivo reformular o Regimento Interno da Câmara. Marco Rillo (PT) foi ao microfone reclamar que Fabio Marcondes (PR) e Paulo Pauléra (PP) estavam “passando o trator” para deixá-lo fora da relatoria da comissão. “Você é um falastrão. É um bandidão”, disse Rillo. Foi a deixa para um Marcondes completamente transtornado detonar o pavio. “Bandido, rapaz? Bandido é sua família, rapaz. Seu falastrão, mentiroso, sem-vergonha”, gritava o vereador do PR, num descontrole nunca antes visto dentro do Legislativo.

Mas o pior ainda estava por vir. Com Rillo batendo boca com Marcondes, Anderson Branco (PR) foi com o dedo em riste para cima do petista, mas recebeu um chega pra lá do desafeto Renato Pupo (PSD). Os dois se empurraram e Pupo deu as costas, fazendo sinal para que Branco saísse do plenário e fossem os dois resolver a pendenga no braço. Branco precisou ser contido por colegas e até acabou sendo jogado no chão, num mata-leão aplicado pelo amigo Zé da Academia (DEM), em uma das cenas mais patéticas e grotescas vistas nas últimas décadas dentro do Legislativo. Gritando coisas como “você não sabe do que eu sou capaz”, o vereador do PR só não partiu pra cima de Pupo porque houve intervenção inclusive da Guarda Municipal. O presidente da Câmara, Jean Charles (MDB), resolveu interromper a sessão por dez minutos.

Pensa que acabou? Pois então você não conhece a Câmara de Rio Preto. As trocas de ofensas continuaram e Pauléra chegou a jogar o paletó no chão, em ato típico de valentões da 2ª série do ensino fundamental, chamando Rillo para briga. Depois dos ânimos acalmados, o próprio Pauléra confessou que tudo foi cena: “Era só ameaça, ninguém sai no braço, não. O Marco Rillo não tem nem idade pra brigar, nem eu”. Com isso, não teve jeito: Jean Charles teve de encerrar a sessão de vez.

É lamentável ver senhores aposentados, advogados, policial e profissionais liberais se prestarem a um papel tão baixo assim. São pais e avôs. Seria de se entender se isso ocorresse dentro de um circo, com palhaços encenando uma comédia pastelão. Ou então num manicômio, onde falta razão a todos. Mas são representantes da população. E estão lá, na Casa do Povo, para pretensamente defenderem o interesse público. Mas não há nada de público nessas picuinhas que só interessam ao umbigo deles mesmos.

A sessão do dia 3 de abril de 2018 seria uma sessão para se apagar da memória do Legislativo rio-pretense. Mas é justamente o contrário: deve ser vista e revista, como o exemplo de quando os homens públicos deixam de debater ideias para aflorar o instinto bestial. Circo, hospício e Câmara: no final, tem sido tudo a mesma coisa.

Clique aqui e confira na íntegra a coluna desta quarta-feira (04)

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