Conexão Capivara: Das chicanas

O PT tem feito um esforço danado para garantir a candidatura do ex-presidente Lula e apelado para todo e qualquer tipo de manobra. Ok, faz parte do show e do jogo. O problema é quando apelam às famosas chicanas jurídicas e o tiro sai pela culatra.

Foi o que ocorreu nesta semana, de acordo com o promotor Sergio Clementino. O PT esteve próximo, muito próximo, de colocar a perder aquele que é seu principal trunfo até agora: arrastar até próximo da eleição a narrativa de que Lula é candidato. O PT entrou com recurso do Supremo Tribunal Federal (STF) para que fossem suspensos os efeitos da condenação contra o ex-presidente.

O partido contava que a análise fosse cair na Segunda Turma do Supremo, composta por Ricardo Lewandowski, Celso de Mello, Gilmar Mendes, Dias Tofioli e Edson Fachin. Com exceção de Fachin e talvez Celso de Mello, os demais tenderiam a votar de acordo com o que queria a defesa do ex-presidente.

Ocorre que, ao contrário do que imaginavam os advogados de Lula, Fachin (relator da Lava-Jato no STF) resolveu que a questão deveria ser analisada não pela Segunda Turma, mas pelo Pleno, composto pelos 11 ministros. E ali a derrota do ex-presidente é tida como certa. Por conta disso, houve um recuo estratégico, já que o recurso poderia ser analisado no máximo em uma semana e, caso negado, sepultaria de vez o discurso de que Lula é candidato a presidente.

Está clara que a estratégia do PT não é necessariamente esclarecer a situação eleitoral do ex-presidente, mas esticá-la ao máximo até próximo das eleições. Pelas vias naturais, por exemplo, há a possibilidade de que a palavra final contra a candidatura só seja dada pela Justiça duas ou três semanas antes da disputa. Enquanto isso, fica mantido o discurso e que Lula está na briga pela Presidência da República, quando na verdade nunca esteve.

A estratégia é clara: substituir Lula por Fernando Haddad o mais tarde possível. No entendimento dos petistas, essa é a fórmula mais eficaz para que os votos do ex-presidente sejam transferidos para o candidato que realmente estará nas urnas representando o PT no dia 7 de outubro. Para o promotor Sergio Clementino, a manobra utilizada pelo PT não é positiva para o País.

“Isso prejudica as eleições. Nós temos a situação de alguém controlando a eleição de dentro da cadeia, com uma chapa que todo sabe que é um faz-de-conta. A nossa democracia já tem seus problemas naturalmente e uma manobra como essa atrapalha as nossas já conturbadas eleições”. E olha que ainda tem muito chão – e chicana – pela frente.

 

Clique aqui e confira na íntegra a coluna desta quarta-feira (08)

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