Conexão Capivara: Cortina de fumaça

Durante todo o dia de ontem vereadores da base de apoio ao prefeito Edinho Araújo (PMDB) e o secretário de Governo, Jair Moretti, tentavam vender a impressão de que a votação, na sessão de hoje, autorizando o município a tomar emprestados R$ 203 milhões junto à Caixa Federal para obras de infraestrutura era problema equacionado.

O tom blasé aparentemente bem coordenado – cujo objetivo era não dar demasiado valor à dor de cabeça causada pela emenda intempestiva do petista Marco Rillo, que acabou adiando a votação na semana passada – era, no entanto, traído aqui e ali o tempo todo.

E não é para menos. Depois da sapatada da semana passada, o governo colocou toda a tropa na rua para garantir o aval da Câmara o mais rápido possível. Edinho Araújo, que tirou dez dias de férias e viajou com a família para a Europa, sabe que o dinheiro é oxigênio imprescindível neste momento em que os cofres estão sem dinheiro para mostrar serviço e a população já começa a ficar menos compreensiva.

Jair Moretti passou a segunda-feira entre reuniões e telefonemas e chegou à noite com a promessa de que 14 vereadores vão garantir a votação do projeto sem nenhum sobressalto desta vez. Isso inclui orientação geral de como agir mesmo diante de novas emendas tiradas da cartola na última hora. “De todo jeito, acho difícil. Não tem como o vereador fazer outra emenda com o mesmo teor, uma vez que aquela foi negada em plenário”, disse Moretti. Ainda assim, mesmo mostrando-se seguro dos números, ele afirmou que até a sessão irá repassar o “texto” com todos os aliados novamente. “Vou, como sempre faço, ligar para os 14 e reforçar a importância do voto de cada um”.

Outra prova de que a preocupação era grande foi a avaliação de cenário que o secretário de Governo fez logo pela manhã. Ele queria saber se a presença do projeto Escola Sem Partido na pauta, o que deverá tumultuar a sessão desta noite, poderia ajudar ou prejudicar a votação do financiamento. Foi tranquilizado por “conselheiros” acostumados com o jogo do Legislativo. A leitura é de que, com as atenções voltadas para a incendiária proposta de Jean Dornelas (PRB), o aval para o prefeito contrair os recursos passará sem que ninguém da galeria perceba. “Eles (alguns vereadores) acham até que é bom”, diz Moretti. A cortina de fumaça que muito ajuda nesta hora.

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