Conexão Capivara: Corações e mentes

Aqui e ali pipocam alternativas de tentar reestruturar a abatida esquerda no País, como o “Vamos”, liderado por Guilherme Boulos. Em Rio Preto, no dia 1º de novembro, também começou a ser esboçada a chamada frente ampla de esquerda na cidade. O objetivo do movimento seria o de “fomentar e construir debates entre as forças progressistas e de esquerda da cidade”, segundo documento produzido pelo grupo, que conta com membros de diversos partidos, organizações e pessoas sem vínculo com entidades. A frente rio-pretense fala ainda em “organizar debates públicos para exposição de ideias” e planejar “formas de disputar as mentes e corações da população em geral por um projeto de país à esquerda”.

Tanto a frente rio-pretense quanto o Vamos e outras iniciativas são claras reações ao vácuo aberto na esquerda com a derrocada petista. E uma tentativa de resposta ao crescimento exponencial de grupos da direita, especialmente o Movimento Brasil Livre (MBL), que tem hoje conquistado o apoio maciço de boa parte da sociedade, em especial da juventude.

Durante décadas, a esquerda monopolizou os movimentos estudantis e fazia a cabeça da moçada mais politizada. Hoje o cenário se inverteu completamente e o MBL é prova disso. Movimento agressivamente de direita, tem como coordenadores jovens e adolescentes conhecedores da política, com força de mobilização dentro e fora das redes sociais e quebrando o paradigma de geração alienada. O que se viu na última terça-feira (7) na Câmara de Rio Preto seria impensável há 5 anos: galerias igualmente tomadas por esquerdistas e direitistas. E os últimos sendo vitoriosos na aprovação do Escola Sem Partido.

A agonia da esquerda tem nome e sobrenome: Partido dos Trabalhadores. Durante duas décadas a esquerda brasileira era sinônimo de PT e vice-versa. Tudo começou a desmoronar ainda no primeiro mandato de Lula, com a descoberta do mensalão, mas a pá de cal foi jogada pela Operação Lava-Jato. Um a um os heróis da esquerda foram se tornando vilões do Brasil – José Dirceu, Antonio Palocci e Lula -, enlameados em acusações e condenações na Justiça por corrupção, formação de quadrilha e mais um sem número de crimes.

A esquerda no Brasil perdeu seu viço. Menos pelas lambanças econômicas, que mergulharam o País em uma grave crise, e mais pelas denúncias de pilantragem e rapinagem do dinheiro público. E o apoio da juventude minguou de vez com movimentos estudantis progressivamente mais mirrados e irrelevantes.

A frente que engatinha em Rio Preto é uma cartada para tentar colocar a pauta da esquerda novamente em evidência. Para se reinventar, a esquerda terá de reaprender a se mobilizar como os adversários ideológicos. Isso se quiser mesmo voltar a conquistar corações e mentes em um ninho que antes era seu: a juventude. Porque hoje o que se vê é que o coração de grande parte dos jovens politizados e influenciadores digitais bate do lado direito do peito.

Clique aqui e confira na íntegra a coluna desta sexta-feira (10)

COMPARTILHAR

SEM COMENTÁRIOS