Conexão Capivara: Cadê o dinheiro que estava aqui?

Até agora o escândalo da Área Azul Digital tem feito vítimas próximas ao prefeito de Rio Preto, Edinho Araújo (PMDB). Primeiro foi a ex-presidente da Emurb Vânia Pelegrini, que pediu as contas. Depois o secretário de Desenvolvimento Econômico, Liszt Abdala, com a participação da mulher e da irmã na licitação do aplicativo Estacione Rio Preto.

Se até então o escândalo tinha apenas respingado em Edinho, por meio dos seus assessores, agora pode atingir diretamente o coração do chefe do Executivo. Isso porque até agora ninguém soube explicar onde foram parar os R$ 350 mil repassados no fim do ano passado pela Prefeitura à Empresa Municipal de Urbanismo (Emurb). O projeto foi enviado à Câmara pelo prefeito sob a justificativa de que os recursos seriam utilizados para a implementação da Área Azul Digital. Emenda do vereador Jorge Menezes (PTB) incorporada à proposta, e sancionada por Edinho na lei nº 12.874, determina que todo o dinheiro deva ser destinado integralmente ao sistema de modernização do estacionamento rotativo. E que, caso houvesse alguma sobra de dinheiro, deveria ser revertido para a Secretaria da Fazenda.

O que se sabe até agora é que o desenvolvimento do aplicativo, feito pela Innovare, custou R$ 78 mil. Sobram então, dos R$ 350 mil iniciais, R$ 272 mil. Na época, Vânia alegou que os recursos seriam aplicados também na compra de equipamentos e tablets para os fiscais, além de capacitação. A questão é saber o quanto tudo isso custou.
Os vereadores envolvidos na CPI da Emurb formada na Câmara obtiveram informações de que parte do dinheiro foi utilizada para bancar horas extras e 13º salário de funcionários da empresa de urbanismo – algo que ainda não está confirmado. Se isso realmente ocorreu, Edinho estará em sérios apuros e poderá responder por improbidade administrativa por desrespeitar a lei nº 12.874.

Questionado ontem pela Conexão Capivara, o secretário da Fazenda e presidente interino da Emurb, Angelo Bevilacqua, disse que está fazendo o levantamento, mas que ainda não tem uma posição oficial sobre o real destino dos R$ 272 mil. O vereador Menezes enviou ofício à Prefeitura solicitando todas as notas fiscais envolvendo a adoção do sistema da Área Azul Digital e onde foi aplicado cada centavo do recurso enviado pelo município à Emurb. “Eu estava certo. O projeto não era para implantação, eu segurei porque era para pagar outras coisas. Estava na cara de todo mundo, mas ninguém quis confiar em mim”, afirmou o vereador. O estrago da Área Azul Digital pode ser muito maior do que se imagina.

Clique aqui e confira na íntegra a coluna desta quarta-feira (10)

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