Conexão Capivara: Assédio moral no centro cirúrgico

ARQUIVO/DHOJE

A diretoria da Funfarme, mantenedora da Faculdade de Medicina de Rio Preto (Famerp) e do Hospital de Base, instituiu uma comissão interna para apurar denúncias de assédio moral contra o médico e professor Humberto Liedtke Júnior, que pode resultar até mesmo em expulsão do profissional se ele for considerado culpado.

A sindicância foi confirmada no início da noite desta terça (22) por meio de nota enviada pela assessoria de comunicação da instituição em resposta a questionamentos da coluna.
Ex-diretor da Famerp, Liedtke dá aulas de embriologia e responde ainda pela cirurgia pediátrica. A avalanche de denúncias contra ele teve início após uma enorme confusão no centro cirúrgico do HB, na qual o médico teria perdido a compostura. Segundo relatos de testemunhas, ele berrou e ofendeu residentes e outros integrantes da equipe que o acompanhava. O clima teria sido tão pesado que, por pouco, não acabou em agressão física.

Sentindo-se humilhados, os profissionais recém-formados que fazem residência em cirurgia pediátrica se rebelaram e formalizaram denúncias de assédio moral junto à direção da Funfarme.

As primeiras denúncias, no entanto, teriam provocado um efeito cascata, estimulando vários outros relatos de supostos abusos. Assim como os médicos residentes da cirurgia pediátrica, o pessoal da enfermagem também começou a se manifestar. Por fim, constam ainda como alvo de investigações internas queixas até de pais de pacientes que se dizem vítimas de excessos do profissional.

A coluna apurou que, em função dos desdobramentos do caso, as investigações internas se dividiram em duas frentes. Uma foca os processos de ordem ética no âmbito do Hospital de Base. A outra sindicância avalia o comportamento de Liedtke enquanto professor da Famerp. Sob pressão, o ex-diretor pediu licença. Dentro da Funfarme há quem defenda que ele seja mantido afastado até que as apurações sejam concluídas.

Na nota enviada à coluna, a Funfarme, presidida pelo médico Jorge Fares, afirma que uma vez apuradas as circunstâncias dos fatos relatados, “se houver necessidade” tomará as medidas cabíveis. Nos bastidores, a situação é tensa e polêmica. Há quem defenda que não existem motivos para punição radical, já que, apesar dos excessos, em nenhum momento o médico praticou agressões físicas.

“Mas é claro que a confusão no centro cirúrgico, por si só, é passível de algum tipo de punição”, disse uma fonte da coluna. O médico Humberto Liedtke Júnior não foi encontrado pela reportagem para falar sobre o assunto.

Clique aqui e confira na íntegra a coluna desta quarta-feira (23)

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