Conexão Capivara: Arrisca uma previsão?

Nenhuma eleição pós-redemocratização do Brasil viveu preliminares, reviravoltas, incertezas, dificuldades de ler cenários e movimentações antecipadas dos virtuais candidatos de forma tão intensa como se vê agora. Isso em todas as esferas. Para os políticos, 2018 já começou faz tempo. Mas está sendo como dirigir em uma estrada com a visibilidade totalmente comprometida pela neblina, sem a menor ideia do que vem lá na frente.

João Dória (PSDB) despontou como a grande novidade para o Palácio do Planalto e murchou feito pastel de vento. Foi logo substituído por Luciano Huck. Abençoado pela Globo, o marido de Angélica parecia nome pronto para evitar um segundo turno entre Bolsonaro (futuro Patriota) e Lula (PT). Recuou, mas deixou no ar que pode recuar do recuo. Já o ex-presidente petista, que segue firme na liderança das pesquisas, precisa sobreviver ao encontro marcado com a Justiça em função de seus enroscos na Lava-Jato. O que deve ocorrer no primeiro bimestre do ano que vem. E aí, são duas eleições: com Lula e sem Lula.

O reflexo disso tudo é imenso nas demais disputas, inclusive as regionais e locais. Em São Paulo, por exemplo, mexe nas peças que miram a cadeira de Geraldo Alckmin (PSDB), onde se aventura o rio-pretense Rodrigo Garcia (DEM). Mexe também na briga pelas duas cadeiras do Senado, sendo uma ocupada por Aloysio Nunes, que terá de encarar as urnas de novo se quiser continuar. E ele mesmo disse que só vai tomar essa decisão quando tiver mais “clareza diante do cenário ainda muito indefinido”. Se até o tucano mais graduado que Rio Preto tem na política no momento sente essa dificuldade, imagine os demais mortais?

Assim, é cena embaçada também nas candidaturas locais a deputado federal e estadual. Eleuses Paiva, em plena campanha, ainda resiste em assumir oficialmente que é. Os tucanos pensam em uma espécie de test drive para Ivani Vaz de Lima, mas não têm certeza. “Depende do cenário”, dizem. O ex-prefeito Valdomiro Lopes é candidatíssimo a federal, mas suas estratégias, como escolha de palanque, passam pelo sonho de Márcio França (PSB) em disputar o governo. Assim como Orlando Bolçone (PSB).

Edinho, outro ser com capacidade mediúnica de farejar a movimentação política, observa tudo com cautela antes de decidir se coloca ou não o filhão em campo. Os petistas João Paulo Rillo e Beth Sahão sabem que muito do destino dos dois passa pelo palanque que o PT terá nacionalmente. Por essas e outras, está todo mundo vigiando todo mundo, mas ninguém se arrisca a atirar todas as cartas numa única jogada. Ou seja, 2018, o ano que atropelou 2017, vai looonge. E promete.

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