Conexão Capivara: Após derrubar presidente da Emurb, imbróglio da Área Azul Digital respinga em Liszt Abdala

Uma sai, outro entra

Depois de derrubar a presidente da Emurb, Vânia Pelegrini, o escândalo da licitação para a Área Azul Digital ameaça agora o emprego do secretário de Desenvolvimento Econômico, Liszt Abdala. Reportagem da TV Tem veiculada ontem (5) revelou que a licitação de R$ 80 mil vencida pela funcionária da Emurb Roberta Nunes Ferreira Costa teve como concorrentes duas outras empresas: uma da mulher e outra da irmã do secretário de Desenvolvimento Econômico.
Ao contrário do que ocorreu com Roberta, cuja participação em uma licitação é frontalmente proibida pelo artigo 9º da Lei de Licitações, a presença de parentes de secretário em uma concorrência municipal não está expressamente proibida em lei. Mas os tribunais têm entendido que tal conduta fere diretamente os princípios constitucionais da impessoalidade e da moralidade. Liszt disse que desconhecia a participação das empresas da mulher e da irmã (leia mais abaixo).
No caso de Vânia, bem que o prefeito Edinho Araújo (PMDB) tentou, mas não tinha para onde correr. O discurso foi de que ela pediu para sair, mas na verdade é que o governo avaliou que sua manutenção no cargo era insustentável.
Desde que foi descoberta a contratação da Innovare, empresa que tem como sócia a funcionária da Emurb, foi colocada em ação – sem sucesso – a operação-abafa. Ela fez o que pôde para se segurar no cargo: deu explicações à imprensa, exonerou Roberta Nunes Ferreira Costa e montou uma sindicância para investigar a comissão de licitações. Em vão.
A última cartada de Vânia ocorreu na manhã desta sexta-feira (5), quando ela foi até a Câmara para ser sabatinada pelos vereadores. Antes mesmo do fim da audiência, o vereador Paulo Pauléra (PP) já havia coletado assinaturas para a instalação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI), proposta por Fabio Marcondes (PR). Ali já estava claro que o destino dela estava selado.
Desde que o escândalo estourou, o prefeito não veio a público uma vez sequer defender a assessora. E a demissão veio no estilo Edinho de ser: foi feita numa sexta-feira, para tentar diluir a repercussão negativa no fim de semana. É uma estratégia que adota desde seu primeiro mandato, em 2001, sempre quando precisa dar uma notícia negativa sobre seu governo – incluindo demissões de primeiro escalão a aumentos nas tarifas de água ou de ônibus.
Ao lado da própria Vânia e do secretário da Fazenda, Angelo Bevilacqua (que assumiu a Emurb interinamente), Edinho comunicou a exoneração de forma lacônica, em pouco mais de 4 minutos. Disse que aceitava o pedido de demissão e desejou à ex-presidente da empresa de urbanismo sorte e felicidade na vida pessoal e profissional. Sobre a CPI formada na Câmara, reservou-se o direito de dizer que era uma prerrogativa dos vereadores. Também anunciou, além da sindicância formada dentro da Emurb, uma auditoria para verificar as contas da empresa.
Já Vânia disse que pediu a exoneração para garantir a lisura do processo, para que tudo seja apurado. “Eu acredito muito neste governo e não quero que nada respingue, como já tem respingado. É muito desagradável. Agi de forma ética e comprometida”, afirmou a presidente da Emurb.
A saída de Vânia não coloca uma pedra no escândalo. Com a entrada do secretário de Desenvolvimento Econômico no bolo, será mais uma ponta solta a ser amarrada pela CPI formada na Câmara e pelo Ministério Público, que já anunciou investigação. O desgaste do governo Edinho com o malfadado projeto da Área Azul Digital está só no começo.

Clique aqui e confira na íntegra a coluna desta sexta-feira (05)

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