Conexão Capivara: Amigos, amigos… Câmara à parte

A CPI da Emurb fez o caldo entornar na Câmara de Rio Preto nesta quinta-feira (14). O entrevero pode abalar mais que um relacionamento político, mas uma amizade e, por que não?, uma aliança construída pelos vereadores Jean Charles (MDB) e Marco Rillo (PT) dentro do Legislativo nos últimos anos.

Presidente da Câmara, o coronel Jean Charles resolveu revogar todos os atos relativos à comissão processante que investiga falcatruas na Empresa Municipal de Urbanismo, cuja presidência está com Marco Rillo. Isso porque, no entendimento da Diretoria Jurídica, terminou nesta quinta-feira (14) o prazo para que a CPI entregasse o relatório final.

Entre as medidas tomadas pelo emedebista estão a proibição de utilizar as dependências do Legislativo para a realização de oitivas de testemunhas, o uso de veículo oficial para entregar intimações e até mesmo a expedição de ofícios em nome do Legislativo. A TV Câmara também está proibida de acompanhar qualquer ato realizado pela comissão de hoje em diante.

O imbróglio todo tem como foco recente alteração realizada no Regimento Interno da Câmara, que passou a contar o prazo das CPIs com base em dias úteis e não mais em dias corridos. Rillo resolveu então aplicar essa nova regra, o que estenderia os trabalhos da comissão até agosto, mas Jean Charles entende que a alteração só vai valer para as próximas CPIs que forem formadas. “A presidência não pode oficializar atos a partir do encerramento do prazo. Oficialmente ela está encerrada, consequentemente, com os autos na mão, posterior a data, qualquer outro lado é nulo. O relatório não é lido e é arquivado. Não haverá mais atos oficiais, as ações, se houver, serão individuais. Os espaços coletivos e aparatos da Câmara não poderão ser usados”, afirmou o presidente da Câmara.

Rillo, claro, não gostou nadinha da medida tomada pelo colega Jean Charles. Especialmente porque estava marcada uma acareação para a próxima segunda-feira (18) entre o diretor da Emurb, Gibran Belasques, e o empresário Wagner Costa. A oitiva seria realizada no auditório da Câmara, mas o ato foi barrado. “O Jean baixou uma ordem de milico. Vou fazer a acareação no meu gabinete, lá ele não pode mexer. Ele está vetando prerrogativa de um vereador”, esbravejou o petista, que deve consultar nesta sexta-feira (15) seu advogado para decidir se vai até a Justiça contestar as ordens do coronel aposentado da PM. O presidente da CPI já adiantou que, caso Belasques se recuse a comparecer no seu gabinete para a acareação, a palavra de Wagner Costa será utilizada como verdade no relatório final da comissão.

A verdade é que, a despeito da argumentação do petista, o futuro da CPI da Emurb é uma incógnita. Depois da pressão feita pelo Executivo que articulou com sua base aliada a rejeição da prorrogação da comissão por mais 120 dias, o golpe veio de um aliado de longa data. Daquelas situações delicadas que fazem estremecer qualquer amizade.

Clique aqui e confira na íntegra a coluna desta sexta-feira (15)

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