Conexão Capivara: AMA: teoria e prática

A ideia é excelente: a existência de uma associação que congrega mais de uma centena de municípios, muitos deles com os mesmos problemas nas áreas de saúde, educação e infraestrutura. Uma assembleia para conhecer a realidade de cidades do mesmo porte e buscar soluções conjuntas para as cidades, ganhando força política junto aos pleitos no governo estadual.

Assim foi concebida a Associação dos Municípios da Araraquarense (AMA), criada em 1974 para “contribuir para a solução dos problemas comuns aos municípios que a compõem, pugnar pela valorização do municipalismo, convergir interesses, objetivando coordenar, representar e defender os direitos institucionais, promovendo evolução e melhoria, e representar judicial e extrajudicialmente seus associados, nas esferas Estadual e Federal”. Na prática, porém, sobram discursos políticos e faltam ações para que a AMA tenha realmente um papel preponderante no desenvolvimento regional.

Nesta quarta-feira (15), teve início o XII Congresso de Municípios promovido pela entidade. Pela programação, percebe-se que a preocupação da AMA é mais voltada em promover as ações do governo estadual do que efetivamente traçar planos e estratégias para cobrar um olhar mais acurado ao Noroeste paulista. Entre os palestrantes estão a presidente do Fundo Social de Solidariedade, Lúcia França, o secretário de Desenvolvimento Social, Gilberto Nascimento Júnior, o presidente nacional do PPS, Roberto Freire, o coordenador estadual de Turismo, Vanilson Fickert, o secretário de Educação, João Cury Neto, o secretário de Cultura, Romildo Capello, e o presidente da CDHU, Humberto Schmidt. Uma autêntica tropa de elite do governador Márcio França (PSB), candidato à reeleição.

Para reforçar ainda mais o caráter político-eleitoral do evento, nesta quarta-feira quem deu as caras foi o senador Álvaro Dias (Podemos), candidato a presidente, fazendo suas promessas de refundação da República e de garantir maior autonomia aos municípios, caso eleito.

O que era para ser um momento de transformações em prol do Noroeste paulista virou um encontrão político-partidário, em que a estrela é justamente quem deveria ser mais cobrado pelos prefeitos ali presentes: o governo do Estado.

Uma pena, já que a região possui problemas palpáveis que poderiam ser resolvidos com uma união maior entre os municípios. Como ocorreu recentemente com as epidemias de dengue ano após ano. Qual ação regional coordenada para combater o Aedes aegypti? Sem contar que a formação da chamada região metropolitana parece ser peça de ficção: falta empenho dos próprios prefeitos e pressão sobre o governo do Estado para fazer com que o projeto ganhe relevância e vire realidade.

Por essas e outras é que a AMA parece uma oportunidade desperdiçada. Infelizmente.

Clique aqui e confira na íntegra a coluna desta quinta-feira (16)

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