Conexão Capivara: Além do diz-que-diz

Foto: Divulgação SMCS

Sem provas materiais até agora, a Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) precisa o quanto antes realizar as prometidas acareações para tentar chegar a algum lugar – especialmente sobre um fato que continua obscuro, a suposta fraude em talões da Área Azul.

Nesta segunda-feira (23), foi a vez de o ex-funcionário comissionado Jean Carlos Rodrigues ser ouvido pelos vereadores Marco Rillo (PT), Gerson Furquim (PP) e Celso Peixão (PSB). Rodrigues foi indicado pelo empresário Wagner Costa, dono da Innovare, como sendo uma das pessoas que conhecia o esquema de fraudes instalado dentro da Empresa Municipal de Urbanismo. O depoente de ontem foi chefe da Área Azul entre 2008 e 2014.

Rodrigues confirmou o esquema de troca de cheques de terceiros na boca do caixa, fato já confirmado em outras oitivas. Acrescentou que a prática seria de conhecimento de secretários que passaram pelo comando da Emurb, como Jair Moretti e Liszt Abdala. O ponto principal do depoimento do ex-funcionário, porém, são as afirmações relativas às fraudes em talões. E acusou frontalmente o atual chefe da fiscalização da Área Azul, Anilto Carlos Alves, que já prestou depoimento na CPI e negou qualquer irregularidade.

Segundo a versão de Rodrigues, Anilto era o mentor do suposto esquema. Ele negou que havia a impressão de talões falsos em gráficas da região, como chegou a indicar Wagner Costa, mas que o problema estaria mesmo na falta de controle do almoxarifado. Ele relatou que os talões de Área Azul impressos oficialmente a pedido da Emurb saiam do almoxarifado sem qualquer tipo de requisição e vendidos normalmente, sem prestação de contas. Com isso, o dinheiro com a venda destes talões não entrava nas contas da empresa. Disse ainda que, toda a vez que a Emurb passava por uma fiscalização, era costume queimar documentos próximo ao prédio da Fepasa – ato que seria realizado por um funcionário de nome Bernardino, a pedido de Anilto. O ex-funcionário afirmou ainda que foi mandado embora em 2014 por ter descoberto o esquema e, nas palavras dele, ter criado “embaraço para (a fraude) continuar em operação”.

Rodrigues afirmou ainda que continua em “situação financeira difícil e humilde”, diferentemente de Anilto que “angariou um patrimônio incompatível com sua renda, tendo vários bens que figuram como proprietários parentes próximos”, disse em seu depoimento à sindicância.

Por essas e outras é que, sem ter em mãos documentos que comprovariam a fraude – e que segundo Rodrigues foram queimados -, uma das saídas para a CPI é colocar os funcionários e ex-funcionários frente a frente. O diz-que-diz vai continuar, é certo. Mas, ao menos, algo pode ser clareado neste obscurantismo de nome Empresa Municipal de Urbanismo.

Clique aqui e confira na íntegra a coluna desta terça-feira (24)

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