Conexão Capivara: Alckmin e o Calçadão vazio

“A campanha vem crescendo. Nós temos certeza de que vamos chegar ao 2º turno, e no 2º turno vamos ganhar a eleição”. A fala confiante do candidato Geraldo Alckmin (PSDB) contrastava com a caminhada esvaziada do presidenciável realizada no início da noite desta quinta-feira (27), em Rio Preto.

O tucano permaneceu pouco mais de uma hora na cidade, vindo de Belo Horizonte (MG). Devido ao atraso no voo, ele iniciou a caminhada – que estava prevista para 17h – às 18h20, com o Calçadão esvaziado e as lojas fechadas. Acompanharam o ex-governador, além de políticos – entre eles o vice Rodrigo Garcia (DEM), Vaz de Lima (PSDB), Ivani (PSDB), Eleuses Paiva (PSD) e Fabio Marcondes (PR) -, cabos eleitorais contratados para segurar as bandeiras e alguns moradores de rua, que tiraram fotos ao lado do presidenciável. Alckmin foi até o Praça Shopping, falou com a imprensa e depois seguiu viagem até São Paulo.

Alckmin manteve a metralhadora apontada para dois oponentes, Jair Bolsonaro (PSL) e Fernando Haddad (PT), seguindo a estratégia indicada pelo comando da campanha para tentar ganhar fôlego na reta final das eleições. Sobre Haddad, afirmou que o Brasil não pode ter de volta o PT, que deixou 13 milhões de desempregados. Mas as críticas mais contundentes foram reservadas para o capitão da reserva.

“A arma de Bolsonaro não para de dar tiro contra o povo”, afirmou o tucano, falando do plano do economista Paulo Guedes, da equipe bolsonarista, de recriar a CPMF e de criar um Imposto de Renda com alíquota única de 20%. “Vai diminuir imposto do rico e aumentar da classe média”.

O outro “tiro” de Bolsonaro teria sido dado pelo vice general Mourão, que acenou com o fim do 13º salário em palestra no Rio Grande do Sul, dizendo que o benefício é uma “jabuticaba brasileira”. “Acabar com o 13º, com direitos trabalhistas, é um retrocesso total. A nossa prioridade é melhorar a vida da população”, afirmou Alckmin. Além de atacar os adversários, o tucano falou de três prioridades caso eleito: cuidar dos idosos, ampliar a vacinação e reduzir a criminalidade.

Tudo bem que o horário da caminhada em Rio Preto, no início da noite, não ajudou. Mas não foi só isso. A verdade é que até companheiros próximos acreditam que não dá mais para o tucano e que a candidatura não decola até o dia 7 de outubro. E isso apesar de toda rejeição ao PT e das bobagens em série proferidas por Bolsonaro e companhia.

Nas vezes em que se lançou ao governo do Estado, independentemente do horário, Alckmin arrastava centenas de admiradores pelo Calçadão de Rio Preto. O ato ontem no Calçadão, numa terra que sempre votou maciçamente nele, mostra que a campanha tucana está na UTI. E com pouquíssimas chances de sair de lá.

Clique aqui e confira na íntegra a coluna desta sexta-feira (28)

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