Conexão Capivara: Ad hominem

“Em casa onde falta pão, todos brigam e ninguém tem razão”. O ditado é velho, mas se encaixa perfeitamente no que ocorreu na segunda-feira (2) durante a audiência do projeto Escola Sem Partido, na Câmara de Rio Preto. O que se viu ali foi pregação a convertidos, com o plenário, na sua capacidade máxima, dividido meio a meio. Quem estava ali não estava nem um pouco preocupado em debater e ouvir o outro lado, mas apenas gritar e vaiar os adversários. Foram sucessivas demonstrações de desrespeito de parte a parte, com xingamentos, ameaças e muita baderna. Pior que qualquer recreio na mais desajustada das escolas. O presidente da comissão de Educação, vereador Jorge Menezes (DEM), chegou ao cúmulo de ser obrigado a expulsar manifestantes do plenário. O que não deixa de ser lamentável, especialmente por se tratar de uma proposta ligada – veja só – à educação.

Voltando ao conteúdo da audiência e aos discursos, teve de tudo lá: menos o tal “sem partido”. A reunião toda foi marcada por partidarismos. De um lado, o projeto sendo defendido por grupos de direita, especialmente o Movimento Brasil Livre (MBL) e o Movimento Cidadania Brasil (MCB). Aliás, o MCB de Rio Preto voltou a dar as caras após longa hibernação. Do outro lado, partidos de esquerda, como o PT.

A reunião perdeu todo sentido quando os debatedores apelaram para o chamado “ad hominem” (que é quando, na falta de argumentos convincentes, o debatedor parte para desqualificar o interlocutor). Essa foi a tônica da audiência. Assim que foi à tribuna, o deputado estadual João Paulo Rillo (PT) foi chamado de corrupto, ladrão e outros adjetivos nada lisonjeiros. E o parlamentar só inflou mais ainda os presentes ao chamar os defensores do Escola Sem Partido de fascistas. Atitude lamentável seguida por seu pai, o vereador Marco Rillo (PT), que classificou os desafetos de imbecis.
Os poucos momentos lúcidos ocorreram durante a fala da professora Gislaine Targa, do Mackenzie, a favor da proposta, e da presidente do Conselho Municipal de Educação, Maria das Graças Bertasso, contra o Escola Sem Partido. A secretária de Educação, Sueli Costa, que é professora há três décadas e de quem se esperava um posicionamento contundente para um lado ou para o outro, exaltou o diálogo – que não existiu ali – e ficou no famoso em cima do muro. Pouco acrescentou.

Ainda é uma incógnita como será a votação deste projeto na Câmara. Mas, pelo que se viu, ele é apenas um pano de fundo para expor os extremismos políticos de direita e esquerda que tomam conta do País. É mais um episódio nesta batalha que só tem feito o Brasil andar de lado. Independentemente da aprovação ou não do escola sem partido, uma coisa é certa: a educação já saiu perdendo.

Clique aqui e confira na íntegra a página Conexão Capivara desta quarta-feira(04)

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