Conexão Capivara: A volta do Ielar

O hospital Instituto Espírita Nosso Lar (Ielar) está próximo de reabrir as portas. Ou quase isso. Foi ao menos o que garantiu o diretor Ricardo Fasanelli, em vídeo que começou a circular, no último domingo (6), nas redes sociais. O discurso de Fasanelli ocorreu em um centro espírita, na última quinta-feira (3), após uma palestra. De acordo com o diretor, que presidiu a entidade, um grupo de médicos que queria construir um hospital decidiu investir R$ 2 milhões para terminar as obras do Ielar. Eles pretendem ainda destinar 60% da receita bruta obtida para pagar as dívidas do hospital.

O encontro entre este grupo de médicos e advogados que representam a entidade ocorreu na tarde de quinta-feira. Segundo Fasanelli, participaram desta reunião juízes e promotores federais, além de representantes da Receita Federal e da Secretaria do Estado da Saúde. O diretor disse ainda que o Ielar receberia uma carência de 12 meses para o início de pagamento das dívidas – inclusive as trabalhistas. “Dez grupos se interessaram (em assumir o Ielar). Mas este grupo tinha dinheiro”, afirmou Fasanelli. Ele acrescentou ainda que os recursos investidos independem do poder público – município, Estado e União – e que, ao fim do pagamento de todas as dívidas, 10% do rendimento com o hospital serão destinados às atividades sociais desenvolvidas pelo Ielar.

Apesar do entusiasmo de Fasanelli, ainda não há nenhuma documentação formal que garanta a reabertura do Ielar. Caso isso ocorra, vai ser o fim de um drama que chegou ao ápice há um ano, com o fechamento em definitivo do hospital. Mas que arrasta há muito mais tempo, quando o instituto passou a depender de repasses mensais do município, com valores acima dos serviços prestados, para que se mantivesse aberto. De acordo com os gestores do Ielar, o repasse feito pelo SUS – cerca de R$ 1 milhão ao mês – não cobria as despesas do dia a dia. A Prefeitura fazia um repasse de R$ 12 milhões ao ano, que foram suspensos no início de 2017 após o Tribunal de Contas do Estado (TCE) rejeitar as contas do hospital.

Há dois pontos que dificultam ainda a viabilização de um acordo definitivo. Primeiro é a própria dívida do Ielar, estimada em astronômicos R$ 80 milhões. Empecilho maior que esse, porém, são as dívidas trabalhistas. Seria necessário um acordo na Justiça do Trabalho para que as indenizações realmente pudessem ser pagas após uma carência de 12 meses, como pretende o grupo de médicos que se apresentou para assumir o hospital.
De qualquer maneira, é uma luz que surge no fim do túnel e que pode, sim, fazer com que a instituição – que serviu Rio Preto por 53 anos ininterruptos –, enfim, volte a abrir suas portas. “Agradecemos a Jesus por essa dádiva maravilhosa”, encerrou Fasanelli ao anunciar o interesse dos médicos na reabertura do Ielar. Que assim seja.

Clique aqui e confira na íntegra a coluna desta terça-feira (08)

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