Conexão Capivara: A volta ao mundo em 180 dias

Parece até obra do francês Julio Verne, mas os autores da façanha são os 17 vereadores rio-pretenses. Levantamento feito pela coluna revela que, nos primeiros seis meses de 2018, os parlamentares rodaram nada menos que 38.456 quilômetros com os veículos oficiais da Câmara. Os dados estão disponíveis no próprio site do Legislativo.

Faltou pouco, muito pouco, para que dessem a volta no planeta Terra, cuja circunferência é de 40.075 quilômetros. Se estivessem na Lua, os parlamentares de Rio Preto já teriam dado quase quatro voltas completas pelo satélite natural, cuja circunferência é de 10 mil quilômetros. As viagens são realizadas pelos próprios vereadores ou por seus assessores de gabinete.

Chama a atenção, sobretudo, o gás que os parlamentares deram em 2018 em comparação a 2017. Nos seis primeiros meses daquele ano, foram “apenas” 30 mil quilômetros rodados – 8 mil a menos que neste ano. Lembrando que estamos em ano de eleição e, apesar de apenas dois vereadores serem pré-candidatos, praticamente os 17 estão empenhados em alguma campanha a deputado federal ou estadual. E é hora de fortalecer as bases eleitorais.
Entre todos os parlamentares, quem mais rodou em 2018 foi Claudia de Giuli (PMB): foram 5.554 quilômetros no primeiro semestre. Praticamente ida e volta a Rio Branco, capital do Acre. A justificativa da vereadora para circular tanto assim com veículo oficial foi “atender demanda dos animais”. A principal foi verificar a ocorrência de maus-tratos, em sua maioria em bairros distantes. Já para as viagens, Claudia disse que houve um encontro de líderes da causa em Ilha Bela (SP), com o objetivo de “trazer melhorias na área para a cidade”.
Se Claudia foi e voltou de Rio Branco (AC) – simbolicamente falando -, o presidente da Câmara, Jean Charles (MDB), mal chegou a São Carlos. Ele foi o vereador que menos passeou com o carro da Câmara neste ano, com 210 quilômetros marcados.

Os parlamentares pisaram fundo neste ano, mas foram mais comedidos no bate-papo. Gastaram R$ 6,2 mil em contas de telefone em 2018 contra R$ 9,6 mil em 2017. Quem mais ficou pendurado foi José Carlos Marinho (PSB), que torrou R$ 542,95 da cota legislativa. Marcia Caldas (PPS) vem coladinha em Marinho, com R$ 529,23 de conta telefônica. Já o título de “senhor material de escritório” vai para Fabio Marcondes (PR): R$ 535,75 em gastos deste tipo nos seis primeiros meses deste ano.

Se continuarem circulando 8 mil quilômetros a mais a cada semestre, rapidinho os vereadores de Rio Preto batem os 80 dias de volta ao mundo de Verne.

Clique aqui e confira na íntegra a coluna desta quinta-feira (12)

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