Conexão Capivara: A revolta dos 4

Entre a lealdade ao governo e a coerência do discurso, eles ficaram com a segunda opção. Jean Charles (MDB), Renato Pupo (PSD), Pedro Roberto (PRP) e Márcia Caldas (PPS) resolveram enfim assinar a CPI que pretende investigar as mazelas na Empresa Municipal de Urbanismo (Emurb). Com o apoio dos quatro vereadores governistas, a comissão, que já tinha as assinaturas de Marco Rillo (PT) e Jorge Menezes (PTB), foi finalmente protocolada na tarde de ontem (24).

A Conexão Capivara já tinha adiantado que Pupo assinaria a CPI e que os demais vereadores – que sempre defenderam a abertura de investigações pela Câmara – balançavam. Depois de uma conversa com o prefeito Edinho Araújo (MDB) ontem (24), resolveram que apoiariam a criação da comissão. A conversa não foi das mais amigáveis e Edinho deixou clara a sua irritação com a atitude dos aliados.

A reviravolta ocorreu dois dias após todos eles – com exceção de Pupo – se comprometerem com o secretário de Governo, Jair Moretti, a não apoiar nenhuma investigação na Câmara. Para o Executivo, já existem apurações suficientes – uma da própria Prefeitura e outra do Ministério Público – para o caso, e que uma nova linha dentro do Legislativo só traria mais desgaste para o governo.

Ocorre que a pressão em cima dos quatro vereadores veio forte, tanto da opinião pública quanto do vereador Marco Rillo, que se disse decepcionado com o fato de Jean Charles e Pedro Roberto se envolverem em “negociatas” com o governo. Por fim, optaram por seguir o discurso que sempre mantiveram, quando Valdomiro Lopes (PSB) era prefeito, de defender a fiscalização do Legislativo sobre possíveis falcatruas cometidas no Executivo.

O requerimento da CPI em si teve de ser negociado para que os quatro concordassem em assiná-lo. Rillo retirou do documento original as citações explícitas feitas a Jair Moretti e a Gibran Belasques, diretor da Emurb. Só assim obteve o apoio necessário dos governistas.
De todas as defecções, a que mais irritou o governo foi a do presidente da Câmara, Jean Charles, único vereador do MDB na Câmara e defensor de primeira hora de Edinho. Havia a possibilidade de Gerson Furquim (PP) ser o sexto apoio – o que garantiria a formação da CPI -, mas ele pediu mais tempo para pensar no assunto. No final, a assinatura de Jean Charles foi capital para que a comissão fosse finalmente instalada.

Resta saber como será a vida dos quatro aliados daqui pra frente. O governo, ao menos no discurso, diz que não haverá retaliação. É ver para crer. O que interessa é que a Câmara não poderia ficar muda, cega e surda a um escândalo dessa magnitude que infestou a Emurb. Se a investigação for mesmo a fundo e não perdoar ninguém (independentemente do cargo no governo), os quatro rebeldes terão dado sua parcela de contribuição à população.

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