Conexão Capivara: A metralhadora de Vaz

O deputado estadual Vaz de Lima (PSDB) subiu na Tribuna da Assembleia Legislativa de São Paulo na noite desta quarta (9) e por quase 15 minutos metralhou de críticas o governo de Márcio França (PSB), aliado dos tucanos até um mês atrás.

Pouco afeito a estes rompantes, Vaz passou recibo de que está cuspindo maribondos pelo fato de França, via Valdomiro Lopes (PSB), começar a mexer no seu doce dentro da gigantesca e estratégica engrenagem do governo estadual.

A carnificina na arena política se intensificou com a oficialização, nesta semana, do que já vinha sendo anunciado desde que Geraldo Alckmin (PSDB) deixou a cadeira do Bandeirantes para seu vice: a troca de apadrinhados em todas as esferas, especialmente a municipal e regional. Em Rio Preto, Teresinha Pachá e Helena Marangoni, peixinhos de Valdomiro, assumiram, respectivamente, as diretorias regionais de Saúde e Desenvolvimento Social, que eram ocupadas por pupilas do deputado tucano.

Nesta quarta, correu no tucanato a história de que já estão engatilhadas também mudanças nas diretorias de Ensino de Rio Preto, Catanduva a José Bonifácio. A primeira seria ocupada por alguém indicado por Valdomiro, a segunda teria tutela do prefeito de Catanduva, Afonso Macchione (PSB), e a terceira teria um nome apresentado pelo presidente da Câmara local, Cássio Galo (PSB).

“Não sou dessa época, mas já ouvi dizer de políticos neste Estado que diziam que, se preciso, quebrariam o Estado, mas ganhariam as eleições. O PSDB mudou isso. Aos longo destes 24 anos, recuperou um Estado que pegou quebrado”, disparou o tucano na Tribuna, numa clara alusão de o atual desafeto estaria disposto a comprometer as finanças de São Paulo para se reeleger.

Ainda segundo Vaz de Lima, a troca de técnicos por políticos em pastas e diretorias (sacou?) é uma forma arcaica e ultrapassada de governar. Ele também se revoltou porque o governador estaria, segundo sua fala, adiando convênios com prefeitos que seriam ligados a “outros grupos políticos”. “Isso é uso da máquina”, esbravejou. E, assim, Vaz se reinventou um deputado de oposição, algo nunca visto da parte de um tucano no Legislativo Estadual em duas décadas e meia.

Na Capital, onde tem participado diretamente do governo, Valdomiro Lopes ironizou ao saber da fala de Vaz. “A vida toda o PSB foi base do PSDB. Eu não entendo essa agressividade toda”, retrucou o ex-prefeito. Valdomiro se fez de desentendido sobre novas mudanças nos mais de 20 cargos de livre nomeação em Rio Preto, incluindo a Diretoria de Ensino. “Não sei de nada. Se voltarem a me pedir sugestão, vamos ver”, afirmou. Mas defendeu a linha adotada por França.

“O governo estava tranquilo. Para o Márcio, seria apenas uma mudança ou outra. Mas, de repente, o PSDB começou a entrar com ações e questionamentos. A partir para uma agressividade injustificável. Aí, dia desses o governo me pediu para indicar nomes para a Saúde e o Desenvolvimento Social. Enviei currículos de gente que eu conhecia, que tinha trabalhado comigo. Só isso”, justificou.

Ainda segundo Valdomiro, a situação “está doendo” para os tucanos “porque eles ficaram 25 anos no governo e nunca olharam fortemente para o Interior”. “Márcio entrou com um olhar diferente. Está mandando dinheiro para as prefeituras, sim, de todos os partidos. Atende todos os prefeitos que aparecem aqui. Qual o crime disso? Nenhum”, contra-ataca.
Em cena, dois gigantes da política local que, ironia das ironias, também já foram aliados até pouco tempo atrás, com Ivani, mulher de Vaz, como vice de Valdomiro e o PSDB como principal fiador do socialista à frente da Prefeitura de Rio Preto. Esqueça coerência. É a guerra pelo poder…

Clique aqui e confira na íntegra a coluna desta quinta-feira (10)

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