Conexão Capivara: A difícil arte de ser governo

Três vereadores da base governista estão suando horrores com o escândalo da Emurb. Contumazes críticos do estilo trator imposto pelo ex-prefeito Valdomiro Lopes (PSB) durante oito anos, os parlamentares Jean Charles (MDB), Renato Pupo (PSD) e Pedro Roberto (PRP) agora se veem confrontados com o discurso de transparência e ética que tanto defenderam. E estão em um verdadeiro beco sem saída.

Os três vereadores, que defenestravam parlamentares de outras legislaturas pela submissão excessiva ao governo Valdomiro, agora estão nesta mesmíssima situação. Uma jogada, aliás, desenhada na última segunda-feira (22) em reunião com o secretário de Governo, Jair Moretti. Fabio Marcondes (PR) resolveu recuar da criação da CPI da Emurb, que já tinha nove assinaturas, e teve a anuência de dez parlamentares presentes ao encontro. Com a saída de cena de Marcondes, Marco Rillo (PT) propôs uma nova comissão parlamentar para investigar os escândalos em série na Emurb. E a cobrança, claro, caiu sobre Jean Charles, Pupo e Pedro Roberto, vereadores que sempre defenderam a independência entre os poderes e a fiscalização dos atos do Executivo – isso quando o prefeito era Valdomiro.

Pupo, Pedro Roberto e Márcia Caldas (PPS) estiveram ontem (23) novamente com o secretário de Governo e disseram que caminhariam juntos nesta questão. A princípio, disseram que não assinariam a CPI de Rillo. “Nós queremos que os fatos sejam esclarecidos à população, mas vamos aguardar”, afirmou Pedro Roberto, endossado por Márcia. Jean Charles foi na mesma linha. “Sobre a reunião (da segunda-feira, 22), cheguei no final e não sei o que aconteceu especificamente. Não tenho uma posição a respeito (da CPI)”, afirmou o presidente da Câmara.

Pupo foi o primeiro a desertar: depois de uma conversa com Rillo, disse enfim que assinaria a CPI. “Alguma CPI tem de sair. Não posso cair em contradição, fiquei quatro anos criticando e não posso fazer agora o que eu sempre critiquei”, disse Pupo. O posicionamento do vereador do PSD pode lhe custar caro. Não seria a primeira vez que isso ocorre: em outubro do ano passado, ao endossar uma emenda de Rillo, ele quase colocou a perder o empréstimo de R$ 203 milhões que a Prefeitura pleiteava junto à Caixa Econômica Federal. E foi advertido, na época, até por Jean Charles.

O posicionamento agora a favor de uma comissão que poderá trazer muito desgaste ao governo Edinho Araújo (MDB) já é encarado como mais um fogo amigo partindo de Pupo. E que pode desaguar em uma crise sem precedentes na base aliada.

Ser governo na prática, para quem sempre manteve um discurso moralizante na oposição, não é fácil. Que o digam Pupo, Jean Charles e Pedro Roberto.

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