Conexão Capivara: A CPI do caos

Os trabalhos da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) para investigar supostos desmandos na Guarda Municipal nem iniciou seus trabalhos ofcialmente e corre o sério
risco de morrer na praia. Seus três integrantes – o presidente Renato Pupo (PSD), o relator
Paulo Pauléra (PP) e o membro José Carlos Marinho (PSB) – entraram em franca rota de
colisão e não falam a mesma língua. Ontem (7), Pupo afrmou que concordava em deixar
a presidência da CPI, mas sob duas condições: que Pauléra e Marinho fzessem o mesmo.

Explica-se. A permanência do vereador do PSD no comando da comissão foi questionada na semana passada pelo presidente da Associação dos Guardas Municipais, Alexandre Montenegro, que assinou a denúncia apresentando supostas arbitrariedades cometidas pelo corregedor, pelo ouvidor e pelo diretor da corporação. O secretário de Trânsito, Marcos Apóstolo, e o diretor Silvio Pedro pertencem ao mesmo partido de Pupo, o PSD, e por isso em tese haveria conflito de interesses. O presidente da Câmara, Jean Charles (MDB), rebateu o argumento de Montenegro e manteve Pupo na presidência.

Foi justamente essa questão que provocou diálogos lamentáveis na sessão de terça-feira, que quase terminou no famoso “vias de fato” entre Pauléra e Marco Rillo (PT). Pupo resolveu sair da defesa e foi para o ataque: disse que ele deixa a presidência, mas que Marinho deve fazer o mesmo porque Montenegro – autor das denúncias – pertence ao PSB e inclusive foi candidato a vereador pelo partido em 2016.

Outra condição colocada pelo parlamentar para se afastar do comando da CPI é que Pauléra também abra mão da relatoria. Segundo Pupo, Pauléra tem ligação com os
denunciantes da Guarda Municipal e inclusive foi flagrado na sessão batendo um papo
bastante animado com o grupo.

Marinho, que na terça-feira pediu a saída do colega, mudou o discurso. “O sorteio foi democrático. Eu só falei para ele ser coerente com o que pedia a associação, mas
particularmente sou contra a saída do Pupo da CPI. Eu quero que ele fque. Até porque a
maior parte das denúncias tem a ver com o poder de influência dele dentro da Guarda,
então é bom fcar para se defender”, afrmou o vereador do PSB, que garantiu sua
permanência como membro da comissão.

Já Pauléra não foi encontrado para falar da proposta feita por Pupo O fato real é que uma CPI composta por integrantes com pensamentos e posições tão heterodoxas – especialmente o presidente Pupo e o relator Pauléra – tem tudo para sair do nada e chegar a lugar algum. Ainda que possa haver boa vontade de investigar de parte a parte, fica praticamente impossível acreditar que uma apuração feita em conjunto por vereadores que mal falam entre si chegue a algum lugar. E pensar que tudo isso teve início em um inocente sorteio que escolheu os integrantes da CPI. Certamente o sorteio do caos.
 

Clique aqui e confira a na íntegra a coluna desta quinta-feira (08)

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