Conexão Capivara: A certeza de que só há incertezas

A cada nova pesquisa eleitoral e de opinião divulgada, há apenas duas certezas: a de que a rejeição de Michel Temer (MDB) vai subir e de que o eleitorado brasileiro está mais confuso que nunca.

Dá para dizer que metade da população está sem ter em quem votar. Ao menos é o que traz o último levantamento Datafolha, divulgado no domingo (10) e na segunda (11). Isso porque Lula (PT), preso e virtualmente fora das eleições presidenciais, aparece com 30%, seguido dos indecisos, que somam 21%. Só depois aparecem Bolsonaro (PSL), com 17%, Marina Silva (Rede), 10%, e Geraldo Alckmin (PSDB) e Ciro Gomes (PDT) empatados com 6%. O instituto entrevistou 2.824 eleitores de 174 municípios na quarta (6) e na quinta (7) e foi a primeira feita pelo Datafolha após a traumática paralisação dos caminhoneiros.

Sem Lula na disputa, Bolsonaro cresce um pouco (19%), mas os maiores beneficiados são Marina (15%) e Ciro (10%). Os votos do ex-presidente ficam muito distantes de serem transferidos imediatamente para os possíveis candidatos-tampão do PT, Fernando Haddad e Jacques Wagner (ambos aparecem com 1% apenas). A confusão em torno da candidatura de Lula, que deve ser barrada pela Justiça Eleitoral, só aumentou com a decisão do PT de registrar o nome do ex-presidente, preso em Curitiba por conta do tríplex no Guarujá.

A pesquisa expõe o que muitos analistas falam sobre o teto de Bolsonaro. A saída de Lula do páreo pouco acrescenta ao seu voto. Nas cinco simulações de 2º turno realizadas pelo Datafolha, o militar só bate Fernando Haddad. Perderia para Lula, Marina, Ciro e aparece empatado com Alckmin.

Por falar no tucano, o levantamento revela as dificuldades que ele tem para alçar voo. Seu melhor desempenho é no cenário sem Lula, mas a variação é dentro da margem de erro – de 6% para 7%. Em entrevista nesta segunda-feira (11) em Sergipe, o governador de São Paulo minimizou seu fraco desempenho e disse que “a decisão do voto é lá na frente”.
Alckmin tem certa razão – o que não quer dizer que os votos “lá na frente” sejam dele. A aposta da maioria dos analistas é que a população só vai mesmo passar a se interessar pelas eleições após o fim da Copa do Mundo, em meados de julho, ou até mais tarde – agosto – com o início do processo eleitoral. O que não significa que os candidatos podem negligenciar o momento ou ignorar as leituras possíveis feitas com base nas pesquisas eleitorais de agora.

Importa mais o que é chamado de pesquisa qualitativa do que a quantitativa. Afinal, o que é necessário para atrair os 21% de indecisos? E como tirar proveito dos 30% que dizem votar em Lula? O entendimento do que pensam e o que querem esses eleitores é mais crucial que qualquer porcentagem de voto declarado neste ou naquele candidato.
PS: Saindo da incerteza para certeza, Temer continua batendo recorde atrás de recorde como o presidente mais impopular da história do Brasil. Superou sua marca anterior, de 73%, e agora conseguiu ser rejeitado por 82% da população. Se ele pretendia colocar seu nome na história, já conseguiu.

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