Comoção e revolta marcam o velório de vítima de tragédia

O corpo de Antonio Rodrigues da Silva Sobrinho, de 50 anos, seguiu para o distrito de Mutans, município de Guanambi, na Bahia

Cerca de 50 pessoas se reuniram no velório municipal da Vila Toninho, na tarde de quarta-feira (25), em Rio Preto. A cerimônia durou cerca de duas horas e somente alguns familiares e amigos mais próximos estiveram presentes. O corpo de Antonio Rodrigues da Silva Sobrinho, de 50 anos, seguiu para o distrito de Mutans, município de Guanambi, na Bahia.

Antonio morreu prensado entre as motos e uma árvore no acidente onde um carro em alta velocidade atingiu nove motocicletas, no início da noite de terça-feira (24), na Vila Toninho, em Rio Preto.

José Francisco da Silva Dias, de 39 anos, é da mesma cidade de Antônio. Eles se conheceram ainda crianças, quando eram vizinhos lá na Bahia, e se tornaram vizinhos em Rio Preto. “Conheço ele desde sempre. Um homem trabalhador e muito bom. Ele veio para cá, trabalhou, juntou dinheiro e voltou lá para se casar com a namoradinha. Depois trouxe ela para cá e foram viver juntos. Depois, em 1997, eu tive problemas de respiração e fiz tratamento aqui em Rio Preto. Acabei arrumando um emprego e fiquei por aqui também”, contou.

Antonio morreu prensado entre as motos e uma árvore no acidente onde um carro em alta velocidade atingiu nove motocicletas

Dias relatou ainda saber que o amigo havia ido ao mercado para comprar carne e leite para a família. “Eu só fiquei sabendo que era ele lá no mercado. Vi a confusão toda e parei para saber o que estava acontecendo e descobri que era meu amigo. Ele foi comprar carne e leite e já estava na moto. Quando ele viu o carro, tentou dar partida, mas a moto não pegou. Ele insistiu, mas foi atingido e morreu”, relatou o amigo.

De acordo com o boletim de ocorrência, o motorista alegou mal súbito, dizendo que é portador de diabetes. O delegado responsável pelo caso, doutor Eder Galavoti, determinou a apreensão do celular do motorista e analisou as imagens das câmeras de segurança do mercado.

Pelas imagens é possível ver que o carro aparece na contra mão, em alta velocidade e atinge as motos. Pessoas que estavam próximas correm para ajudar as vítimas caídas e, em segundos, já existe uma aglomeração auxiliando no socorro.

Uma das vítimas atingidas pelo veículo é Renato dos Santos Silva, pedreiro de 29 anos. Ele estava sentado na primeira moto, se despedindo do amigo, que aparece de pé nas imagens, quando foi atingido pelo carro. “De onde eu estava não dava para ver a rua por causa de um carro estacionado. Eu só ouvi o barulho forte de aceleração se aproximando e depois vi o carro. Acredito que foi a lombofaixa que salvou a gente. O carro ia acertar direto e o impacto na lombada o fez desviar”, explicou o pedreiro.

Silva ainda relatou o susto e a preocupação com a esposa e o amigo. “Eu tive apenas escoriações leves. Na hora, me preocupei em ver minha esposa. Como ela estava bem, fui socorrer meu amigo. Eu não senti que estava machucado e fui sentir dores só depois que estava na UPA [Tangará]”, relatou.

A vítima, amigo de Silva, passou por atendimento no Hospital de Base e ficou em observação. Ele está estável, consciente e sem previsão de alta. Segundo Silva, o amigo teve suspeita de fratura na costela.

O consultor Lucas dos Santos Avelino, de 51 anos, é dono de uma das motos atingidas no acidente. Ele passou no mercado depois do trabalho e se assustou ao ver a moto destruída. “Eu estava dentro do mercado e ouvi o barulho como se fosse alguma coisa estourando. Corri aqui fora e vi a tragédia. Eu tinha acabado de lavar a moto para vender. Era o meu instrumento de trabalho. Eu vi o motorista lá dentro do mercado. Ele não aparentava estar bêbado e estava assustado”, relatou.

Uma testemunha que viu o acidente relatou que o motorista saiu do carro, sentou na calçada e foi levado para dentro do mercado depois algumas pessoas tentaram linchá-lo. “Eu não sabia o que fazer. Liguei para policia e fui ajudar no socorro. Era uma cena de guerra. Tinha quatro pessoas caídas no chão e aquele monte de motos espalhadas. Foi realmente assustador” disse o pasteleiro José Carlos Garcia.

O portão da casa do aposentado Antônio Guerreiro Augusto, de 73 anos, ficou danificado com o impacto das motos. Ele relatou que se assustou com o barulho e que chegou a achar que era uma explosão. “Aqui do lado tem um consultório de dentista. Achei que fosse alguma explosão ali. Foi realmente assustador. Minha esposa correu na porta da sala e, na hora que viu a cena, se assustou e passou mal. Não sei dizer se a pressão subiu ou caiu, mas ficou mal”, explicou.

A outra vítima do acidente, um pedreiro de 40 anos, foi levada em estado grave para o Hospital de Base. Ele permanece sedado e entubado na UTI, Unidade de Terapia Intensiva.
O condutor do carro, um professor de 54 anos, que causou o acidente foi conduzido para a Central de Flagrantes e ouvido pelo delegado de plantão, doutor Eder Galavoti. Segundo consta no boletim de ocorrência, o motorista não apresentava sinais de embriaguez e disse não se lembrar de detalhes do acidente.

O acusado deverá responder pelos crimes de homicídio e lesão corporal culposa, que é quando o condutor não tem intenção de causar o acidente.

 

Por Bia MENEGILDO

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