Comer, Beber e Afins: Queijos, doces e bolachas artesanais: sítio Duvô

O sítio Duvô é um recanto onde se produz queijos e afins

Há 50 km de São José do Rio Preto está uma pequena propriedade agrícola que produz queijos artesanais, bolachas de nata e vários pratos originários da culinária caipira, como compotas de goiaba e abóbora, feitas no fogão à lenha. É o Sítio Duvô. Um recanto onde predomina o verde, os pássaros e o som das vacas no pasto.

O queijo caboclo é maturado e vai concorrer ao Prêmio Queijo Brasil 2018

O lugar é um recanto de tranquilidade e gera bem-estar imediato a quem está acostumado à vida urbana. Administrado pelo casal Rafaela e Carlos Alberto Ayres, o sítio é herança de família e a produção dos quitutes é uma atividade exclusiva da dona Rafaela, que vem semanalmente a Rio Preto para entregar tudo fresquinho aos clientes, que conquista via Instagram. “Não é um comércio, é um estilo de vida”, define Carlos Ayres.

Mas, apesar de predominar o sistema artesanal, o casal já conquistou prêmio com a qualidade do que produz: o requeijão do sítio recebeu medalha de prata no 3º Prêmio Queijo Brasil, realizado em São Paulo em 2017. A próxima edição do evento acontece em novembro e o Sítio Duvô vai participar com quatro tipos de queijo: o Frescal “Orvalho”, o Caboclo (categoria maturado),o Sol (leva urucum e erva doce) e um queijo especial curtido numa mistura de vodka com amora.

O requeijão é premiado: foi destaque no Prêmio Queijo Brasil 2017

O Sítio atende quem os visita, mas prioriza a produção por encomendas. Para conhecer o lugar paradisíaco é preciso fazer reserva. Rafaela faz café da manhã por encomenda, é preciso ligar e contratar o serviço para poder realizar um encontro familiar, de amigos, ou de negócios, no sítio. A estrutura é ótima: uma sala de café arejada com vista para as árvores do entorno ao som dos passarinhos e vaquinhas ao fundo. Uma realidade bucólica que remete à mais legítima origem sertaneja da região.

O Sítio Duvô tem esse nome porque foi deixado pelo avô de Carlos Ayres. Uma propriedade que passou de pai para filho e que é cuidada com muito zelo pelos descendentes. “Queremos manter o padrão artesanal e levar uma vida bem tranquila”, adianta sr. Carlos. Ele é ex-funcionário da Caixa Federal, que ama o que faz atualmente: tem uma marcenaria no sítio e enquanto a mulher cozinha, ele produz mesas e armários para consumo próprio ou de terceiros.

As bolachinhas são artesanais: receitas da avó

O cardápio do local inclui tortas salgadas e doces, queijos, requeijão, coalhada, bolachinhas, sequilhos, esfihas, compotas de goiaba, abóbora e mamão. A produção de leite segue normas da Embrapa para manter a qualidade.

Para encomendar os produtos do sítio ou reservar o local para um café, ligue (17)99136-5198. O Sítio Duvô fica 22 km depois de Potirendaba, num ponto que pertence ao município de Mendonça. O trajeto até lá é rápido e fácil, basta ativar o GPS.

 

Conversa com o Chef 

 

Pascal Valero: apaixonado pelos sabores da Amazônia

Pascal Valero

Ele é francês, natural de Carcassone, região Sul da França, tem 47 anos, atua com gastronomia desde a adolescência e mora no Brasil há 16 anos. Veio para comandar a cozinha do Grand Hyatt, em São Paulo, atualmente é responsável pelo cardápio da rede Maremonti de pizzas. Pascal Valero conversou com a coluna durante uma degustação de vinhos na Maremonti Pizzas, no shopping Iguatemi.

Comer, Beber e afins em Rio Preto – Como um Chef francês com sua experiência veio parar no Brasil?
Pascal Valero – Eu comecei a cozinhar com 16 anos e aos 18 anos fui premiado como melhor aprendiz da França. Aí trabalhei em vários restaurantes três estrelas Michelin, em Paris. Depois decidi ter uma carreira internacional e fui para os EUA em 2000. Em 2002 fui convidado a abrir o hotel Grand Hyatt em São Paulo. Desde então estou no Brasil.

Comer, Beber e Afins – O que mais lhe impressiona na gastronomia brasileira?
Valero – São os produtos amazônicos. São produtos que não existem em outros países do mundo. Em 2005 eu até ganhei um prêmio de pesquisa e utilização de produtos amazônicos. Fiz um menu degustação com 27 frutas da Amazônia. As frutas da Amazônia não existem em nenhuma outra região do Brasil e em nenhum outro país. Para mim, é uma grande descoberta.

Comer, Beber e Afins – O Chef Olivier Anquier diz que o prato preferido dele é o Tacacá do Norte, que leva ingredientes da Amazônia. Qual é o seu?
Valero – Eu não tenho um preferido. Eu gosto de pratos típicos regionais. Gosto da comida mineira, do Ceará, do Nordeste e pratos com pequi. Eu gosto muito do pequi.

Comer, Beber e Afins – O senhor conhece o Brasil inteiro…
Valero – Sim, viajo muito para fazer eventos como o de hoje: jantares harmonizados.

Comer, Beber e Afins – Na sua opinião o mercado brasileiro oferece boas oportunidades para quem quer ser Chef de Cozinha?
Valero – Tem oportunidade. Mas, não podemos confundir os caminhos. Um concurso de televisão não basta para uma pessoa virar Chef. O caminho de um bom chef não é fácil, tem que trabalhar muito, por 10 anos. Para ser Chef tem que cozinhar no mínimo 10 anos.

Comer, Beber e Afins – O senhor conhece o menu da culinária regional de Rio Preto?
Valero – Não. Não tive ainda tempo de conhecer.
Comer, Beber e Afins – Rio Preto sofre influência mineira. O senhor já experimentou torresmo? Aprecia?
Valero – Sim. Torresmo, gosto. Imagino que aqui se consuma carne de porco, rabada, né?

Comer, Beber e Afins – O torresmo é muito apreciado como petisco no Brasil. Na França tem torresmo?
Valero – Não. Não tem. Eu gostei. Mas, não é todo torresmo que é bom. O torresmo tem que acertar: bom é o crocante por fora e desmanchando por dentro. Não existe boa gastronomia: existe comida boa e comida ruim.

Comer, Beber e Afins – Qual sua principal inspiração para criar pratos?
Valero – Eu gosto muito de valorizar os produtos regionais. No caso de São Paulo estão usando muito mini legumes, palmito pupunha, ervas. Quanto mais uso os produtos regionais, fica melhor para mim e para quem come, pois a gente consegue um padrão de qualidade. A gente consegue alta qualidade com os produtos locais.

Comer, Beber e Afins – O que mais lhe impressionou no Brasil?
Valero – Eu tenho um amigo pintor, o Juarez Machado, que sempre fala que um Chef para ser criativo tem que se sentir bem com sua mente. Eu me senti muito bem aqui no Brasil. Tudo em volta faz com que eu decida ficar no Brasil. Vou para França uma vez por ano. Me relaciono bem com as pessoas, o clima. Gosto. Meu coração é dividido entre dois países, a França e o Brasil. Enquanto eu conseguir ficar aqui e ir lá, está tudo bem.

Cacaco Cunha, Marcella Portella e Andreia Ferreira idealizaram a festa

Uaiktoberfest

No dia 13 de outubro, das 16 às 2 horas, no Espaço Algodoeira, acontece a 1ª Uaiktoberfest. O evento terá shows de duplas sertanejas da região, samba, DJs e banda de Country Music. No menu: cervejas artesanais on tap, 13 bicos de chopes de vários rótulos, garrafas e uma praça de alimentação com comidas típicas da Oktoberfest, como Eisbein (Joelho de Porco), Salsicha Alemã, Costela Fogo de Chão gaúcha, Parrilla Porteña e Choripan. Iniciativa dos empresários Marcella e Cacaco Cunha em parceria com Andréa Ferreira. Informações pelos telefone (17) 3212-9076.

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