Comer, Beber e Afins: Pois Pois… uma casa portuguesa com certeza

O restaurante Pois Pois… é um recanto acolhedor e ideal para apreciar a boa gastronomia portuguesa, localizado no coração do bairro Redentora. A casa é comandada pelo casal Ana Custódio e Armenio Alcantara e foi instalada inicialmente no bairro Vivendas, onde começou a atender em 2009. Desde 2015 está na Redentora, bairro considerado principal roteiro da alta gastronomia em Rio Preto.

O ambiente é todo inspirado no estilo de vida português

O menu inclui bacalhau e pratos típicos da culinária portuguesa. Um deles é a Chanfana de Alcatra, preparada com carne marinada no vinho tinto por 24 horas e cozida numa cataplana (panela de cobre muito utilizada em Portugal). “É uma explosão de sabores, um prato português com influência da cultura árabe”, revela Armenio, o Chef da casa e nosso entrevistado nessa edição.

O Pois Pois… é uma descoberta, um lugar aconchegante. Com ambientes ricos em detalhes portugueses, tem sala privativa para reunião reservada ou mesas para dois em um cantinho discreto.

O carro chefe do cardápio é (claro) o bacalhau, que surge em várias opções. O mais procurado é o Dourado a Pois Pois, feito com lombo do bacalhau (a casa só usa o Gadus Morhua, considerado o espécime mais nobre, proveniente das águas frias do Atlântico Norte), molho de tomate artesanal e manjericão com lascas de amêndoas, acompanhado de batatas ao murro e cebolas crocantes.

O Dourado a Pois Pois… é o prato mais vendido na casa

Mas, engana-se quem imagina ser o bacalhau a única opção. A casa também oferece pratos exóticos como o Arroz de Pato à Antiga moda portuguesa e a Chanfana.
O Pois Pois… tem também menu executivo e de terça à sexta-feira é possível degustar um bacalhau a Gomes de Sá (batatas e ovos cozidos envolvidos com bacalhau desfiado em azeite e azeitonas) acompanhado de arroz e salada ou pratos preparados com massas artesanais, como o talharim artesanal com molho de tomate ou com creme de espinafres (massas com opções sem bacalhau) por R$30. Aos sábados (apenas as opções com bacalhau) o executivo é R$35. E se quiser sobremesa? Tem. Tem pastéis portugueses, aqueles com massa folhada e creme de ovos e o toucinho do céu, entre outros (fora do menu executivo).

No jantar, além do sistema a la carte, tem um cardápio especial (de terça a quinta-feira) que é O Chef Sugere, que inclui couvert, entrada e prato principal (com ou sem bacalhau) acompanhado de uma taça de vinho português por R$55. Esse cardápio varia a cada duas semanas. Há ainda uma rotisseria, na qual o cliente pode escolher o prato e levar para casa ou degustar ali mesmo.

Aos domingos a casa abre apenas no almoço e além do a la carte há também quatro sugestões de pratos com bacalhau desfiado. O Pois Pois… é boa opção também para quem planeja comer o legítimo bacalhau na Sexta-feira da Paixão. Lá, diariamente, há opções de pratos para retirada.

O Pois Pois… fica na Rua XV de Novembro, 4387, no bairro Redentora. Para informações e reservas: (17) 3022-7646

O Quintal Food Park
tem espaço kids

Cerveja & Rock
Neste sábado (17) a dica é no Quintal Food Park, que realiza o I St. Patrick´s Rock and Beer Festival, a partir das 14 horas. Uma festa com chopp e cerveja das marcas Colorado, Velvet, Dama, Invicta, Lund, Everbrew e Barco. O rock será com as bandas Rock Page, Thiago Giacomelli e A Casa dos Fundos, que sobem ao palco a partir das 15 horas. O Quintal Food Park fica na Rua Presciliano Pinto, 2399.

Almoço Árabe
O Automóvel Clube realiza neste sábado (17) a partir do meio-dia, um Almoço Árabe. O cardápio será servido acompanhado de música ao vivo, com Bozó, Eli e amigos. Para participar é preciso indicação de um sócio. Informações: (17) 3214-7211.

 

Conversa com o CHEF

Armenio Alcantara: Chef brasileiro com sotaque português, depois de 26 anos em Lisboa

Armenio Alcantara

Ele tem 50 anos, é arquiteto formado pela Universidade de Lisboa. Rio-pretense de coração (natural de Tupã/SP), viveu por 26 anos na capital portuguesa onde atuou como arquiteto e fez mestrado na área. Ainda em Portugal, idealizou um projeto diferente: atuar com gastronomia. E foi o que fez ao retornar ao Brasil. Em 2009 abriu o Pois Pois…e a ideia, que começou como uma rotisseria, evoluiu para uma casa especializada em bons pratos da legítima culinária portuguesa.

Comer, Beber e afins – A gastronomia nacional sofre grande influência portuguesa, devido às nossas origens no descobrimento do Brasil. Qual a diferença da culinária portuguesa e a brasileira?
Armenio Alcantara – Além de mediterrânica, a culinária portuguesa, especificamente a alentejana, tem grande influência da cultura árabe. É muito rica em peixes e carnes de caça e usa-se muito azeite, frutos secos, como damasco e amêndoas e especiarias. Há uma riqueza de ingredientes. A Europa passou por tempos difíceis que deixaram marcas na cozinha regional. A carne de porco é, ainda hoje, muito consumida em muitos países, assim como a batata que se destaca como complemento principal. Não se usa o arroz com a frequência com a qual é consumido no Brasil. O bacalhau é tradicionalmente servido com batatas. Em Portugal não é normal se comer bacalhau com arroz, aqui sim. É cultural.

Comer, Beber e afins – Qual a grande marca da culinária portuguesa que temos hoje no Brasil?
Armenio – A culinária portuguesa e a brasileira falam a mesma língua. Isso facilita muito. Tem uma referência familiar, os hábitos das famílias portuguesas, como ter sempre um azeite à mesa. A combinação do azeite num refogado com cebola e alho, dois itens indispensáveis. E depois a combinação das especiarias.

Comer, Beber e afins – O bacalhau é mesmo o prato mais comum na mesa do português?
Armenio – Sim. É algo quase intocável. A tradição do seu consumo veio com os dias difíceis de tempos igualmente difíceis, quando as famílias tinham que dividir uma posta em quatro ou cinco pessoas. Lá o bacalhau é considerado o “fiel amigo”, porque era um dos alimentos que sustentou as famílias em todos os momentos difíceis. E hoje está presente de um extremo ao outro na culinária portuguesa, desde a maneira mais simples de prepara-lo até a alta gastronomia. É um peixe muito versátil e lá costuma-se dizer que tem 1.001 maneiras de se comer bacalhau. Costumamos dizer também que bacalhau não é peixe, bacalhau é bacalhau!

Comer, Beber e afins – Existe carpaccio de bacalhau?
Armenio – Sim, claro. Feito com bacalhau fresco. Lá tem outro nome (risos). Lá o carpaccio é chamado de Punheta de Bacalhau, que é o bacalhau cru misturado com bastante azeite, cebola, alho, salsa e bem temperado. É um sabor bem interessante.

Comer, Beber e afins – E o vinho? É um acompanhamento constante na mesa portuguesa?
Armenio – É cultural. O vinho, não só em Portugal, mas na Europa Mediterrânea, que inclui Portugal, Espanha, Italia, Grécia e França, tem uma presença vital. Eles têm regiões demarcadas como produtoras de vinho no mundo. Tem castas portuguesas autóctones, que são únicas, só existem lá. Vinho é algo muito presente até na alimentação. Antigamente, nas aldeias, o vinho era utilizado na sopa. Existe lá uma sopa que chama Sopa de Cavalo Cansado, porque misturavam um pouco vinho. Em Portugal, o vinho é considerado alimento.

Comer, Beber e afins – E quando montou o cardápio do Pois Pois… você priorizou pratos legitimamente portugueses. Quais são?
Armenio – Nosso foco principal é o bacalhau. Mas temos dois pratos diferentes e regionais que são a Chafana de Alcatra e o Arroz de Pato à antiga portuguesa. O arroz de pato é bem característico da região do Alentejo. A Chanfana é da região das Beiras, interior do país, ambos considerados emblemáticos na culinária portuguesa. Origem da Chanfana: Em outros tempos chegar em certos lugares no interior do país era muito difícil. Como meio de subsistência as pessoas nas aldeias criavam cabras para obter leite e fazer queijo. E quando elas ficavam velhas eles cozinhavam a carne em vinho tinto com especiarias por 12 horas em lume brando. É um prato intenso, uma sinfonia de sabores. Eu uso a Alcatra como variante da carne de cabra velha. O sabor é algo indescritível. Temos os risotos e massas que levam bacalhau, além do nosso bolinho de bacalhau, que é uma receita de sucesso.

Comer, Beber e Afins – Você é um arquiteto que virou Chef. É realizado como Chef?
Armenio – Muito. Aqui eu aplico o que aprendi na arquitetura. Crio pratos como se fossem um projeto. Nossas massas são artesanais. Eu planejo os detalhes para que o resultado seja perfeito. Nossa cozinha é muito autoral. Agora vou lançar o bacalhau Brasil: que é um bacalhau aromatizado com lascas de pequi e pistache. A Culinária para mim, assim como na arquitetura, é uma arte. A Arte de comer bem!

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