Comer, Beber e Afins: Iaiá bistrô cresce e surgirá ampliado em Junho

O Iaiá é um bistrô que une gastronomia francesa com ambiente acolhedor e cheio de charme. Administrado pelas sócias Andrea Gerin Ribeiro e Luciana Horta Castanheiro, prima pela qualidade dos pratos. O menu tem como carro-chefe três risotos: de lagostim, de camarão e de parmesão com filé mignon. “Sim, o rio-pretense aprecia carne”, confirma Andrea.

O risoto de lagostim é um dos mais pedidos

A casa tem 8 anos de funcionamento ali, próxima do Colégio Santo André, na rua de mesmo nome (Santo André) e está consolidada. Agora, vai ficar ainda melhor: está em plena obra para ampliar em 40% a capacidade de atendimento. De 60 pessoas, o salão vai acomodar com bom espaço, 100 clientes.

Atribulada com os pedreiros, Andrea atendeu a coluna e contou que a ideia de abrir o espaço (em 2010) surgiu do desejo de empreender na área de gastronomia. “Já tínhamos a churreria no shopping e aí decidimos abrir um ponto na rua”. Deu certo.

O que eu mais gostei lá? Da decoração, com garrafinhas cheias de flores no teto. Das florzinhas na calçada, do ambiente tranquilo, antes de conhecer o cardápio.

O camarão provençal: opção com frutos do mar

E ele (o cardápio) é opção boa para o bolso também. As entradas custam em média de R$16 a R$25 e servem bem duas pessoas. De terça a quinta-feira o jantar tem menu confraria, que sai por R$49,90 e inclui uma entrada, prato principal e sobremesa. Aos domingos abre para o almoço e tem a promoção Dois por Um: você leva acompanhante e paga apenas o seu prato (o acompanhante não paga pelo prato).

O Iaiá atende com reservas até 21 horas. Mas, a casa não é apenas um bistrô. Tem outras três unidades: no Riopreto Shopping, no Iguatemi e no Shopping Cidade Norte. Nessas unidades serve churros e crepes, que foi o cardápio que deu origem ao bistrô.
Não conhece ainda o Iaiá? Então programe-se e vá lá: fica na R. Santo André, 114 – Jardim Europa. Abre apenas para jantar durante a semana e para almoço aos domingos. O telefone para reservas é o (17) 3305-5660.

 

Conversa com A Chef

Tanea Romão

Ela tem 50anos, é paulistana de Franca, mas foi na cozinha mineira que forjou sua vocação para a gastronomia. “Aprendi a cozinhar perto dos 8 anos e aí não parei mais”. Numa conversa suave (por e-mail) ela conta que cresceu vendo a vó fazer linguiça e criar galinhas no “terreiro”. Essa cultura quase rural a inspirou a fazer geleias e evoluir a ponto de criar o Kitanda Brasil, um restaurante em São Paulo, que está no Guia Quatro Rodas e foi destaque na Marie Claire americana. Quando você me pergunta “por que gastronomia?” eu lhe respondo:”Porque cozinhar é trazer de volta os sabores da minha
infância, é como abrir uma caixa de fotografias antigas e digitalizar. Faz meu coração bater mais forte. Sou da turma da velha guarda, formada na boca do fogão”. Tanea está entre os Chefs referência no Brasil e será a Chef madrinha do projeto Sabor São Paulo, que percorrerá várias cidades paulistas e acontece em Rio Preto neste próximo 23 de maio.
Comer, Beber e afins em Rio Preto – Você atuou até 2016 na gastronomia mineira. O cardápio mineiro e o paulista são parecidos?
Chef Tanea – Minha alimentação sempre teve a influência da cozinha mineira, pois sou neta e filha de mineiras e a cozinha da cidade é uma cozinha rica em “verduras do Terreiro”, dos quintais mineiros. O cardápio mineiro é rico em ingredientes, pois Minas Gerais não é só Tutu e (feijão) Tropeiro. Digo que o estado recebe os vizinhos com muita “quitanda” em cima da mesa, então mistura ingredientes e muda muito de norte a Sul do Estado. A galinhada do norte mineiro recebe ingredientes que a do Sul de Minas não recebe, o pequi. Inicialmente os tropeiros foram subindo rumo as Minas e deixando a cozinha paulista pelo caminho e também formando suas vilas, com pequenos animais, como porcos e galinhas, plantando milho e mandioca, imprimindo suas características, depois o mineiro foi criando sua identidade e hoje temos essa comida que o Brasil inteiro adora.Temos muitos ingredientes e técnicas de preparo parecidos, acho que somos irmãs.

Comer, Beber e afins – Vivemos aqui no interiorzão do sertão paulista, numa região que sofre forte influência mineira no cardápio. Você acha que a comida mineira é uma referência em todos os Estados?
Chef Tanea – A comida mineira é falada e adorada no Brasil inteiro, penso que porque junto com os sabores vem a lembrança da hospitalidade, do afeto, do aconchego.

Comer, Beber e afins – Você retomou (em 2016) como Chef em São Paulo com o Kitanda Brasil de pois de viver em Minas Gerais. O Google a descreve como uma chef expert em comfort food. Você acha que essa preferência é uma vocação natural entre os Chefs nacionais?
Chef Tanea – Sim. Essa comida que fala ao coração, que conforta, é a nossa base. O nosso “arroz com feijão, banana e ovo frito” bem feitos, nos alimenta a alma. Vejo meus clientes emocionados ao comer jiló, quiabo, ora pro nobis, polenta, cozido de músculo…porque nos distanciamos disso. Com a entrada da comida industrializada, de tudo quase mastigado, nos afastamos dos sabores que se não forem resgatados se perderão e eu acho que isso é o que está acontecendo agora. Nós Chefs somos responsáveis pela valorização dos nossos ingredientes e receitas e esse resgate vai aproximar essa nova geração de uma cultura que poderia estar perdida.

Comer, Beber e afins – Você será a Chef Madrinha da etapa do Sabor São Paulo em Rio Preto. Porque escolheram seu nome?
Chef Tanea – Por minha cozinha afetiva, minha experiência com orgânicos, com aproveitamento integral do alimento, e para levar essa “mineirice” adquirida e incorporada para vocês. O aproveitamento integral do alimento eu vou mostrar na aula que darei, onde faremos uma sobremesa com a banana e um parmegiana com as cascas. Fica incrível. Temos que começar a nos perguntar “Vai para o prato ou vai para o lixo?”

Comer, Beber e afins – Já esteve em Rio Preto?
Chef Tanea – Estive há muito tempo, de passagem

Comer, Beber e afins – Qual a importância de um evento como o Sabor São Paulo para a gastronomia nacional?
Chef Tanea – Que as pessoas saibam que a cozinha está muito além das capitais, que esse interiorzão, como você fala, é riquíssimo em ingredientes, cultura, sabores e saberes que só através de um evento assim pode ser mostrado. A importância é essa troca cultural e a valorização dos produtos locais.

Comer, Beber e afins – Qual sua dica para os Chefs que estão começando?
Chef Tanea – Não se esqueçam nunca de onde vocês vieram, pois isso será sua marca. Sejam humildes porque estamos alimentando pessoas e não o próprio ego. Conversem com seus pais, avós, pessoas mais velhas da comunidade e entendam a origem da cozinha local e o que foi abandonado por vergonha, por achar que o que vem de fora é melhor.

Panquecas
Uma casa de panquecas também foi aberta no bairro Redentora: a Las Quecas oferece uma variedade de recheios como carne seca do catupiry, camarão e carne moída com gorgonzola, além de outros recheios doces. A Las Quecas fica na Rua Jaci, 3246.

 

Açaí novo na praça
Rio Preto acaba de ganhar uma casa de açaí 100% puro. A ASA Açaí foi inaugurada nesta quarta-feira, na Rua Generosa Bastos, 3490, na Redentora. A matriz fica no Rio de Janeiro e a nova unidade foi instalada após pesquisa dos proprietários. “Rio Preto é destaque nacional como uma cidade ótima para investimentos. Por isso estamos aqui”, disse Claudio Miranda, um dos sócios da marca. O novo point oferece também tapioca, granola e castanhas.

 

Por Ellen LIMA

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