Com o verão, incidência da leishmaniose pode aumentar

Com o verão, altas temperaturas e o aumento das chuvas o período se torna propício para incidência de doenças como a leishmaniose, que além de animais, também atinge seres humanos. O mosquito-palha é o principal transmissor do protozoário, que tende a se multiplicar em ambientes úmidos e com temperaturas mais altas. É necessário o apoio da população no combate ao mosquito, evitando assim a proliferação e infecção da doença nesta época.

Somente em Rio Preto, no ano de 2016, foram registrados 42 casos da doença em cães e dois casos em humanos, porém, os pacientes adquiriram a infecção fora da cidade, sendo que um dos pacientes era transferido do sistema carcerário e a outra pessoa era uma mulher que contraiu a doença na Bahia e veio a óbito. No ano passado foram 32 casos em cães e nenhum foi registrado em humanos.

De acordo com a gerente do Centro de Zoonoses em Rio Preto, Vanessa Aoki, a limpeza do próprio domicílio e áreas urbanas contribui para evitar criadouros do mosquito. “Realizar o manejo ambiental, reduzindo a quantidade de matéria orgânica como acúmulo de folhas e frutos e presença de acúmulo de fezes de animais, que forneçam condições favoráveis para o estabelecimento de criadouros do vetor. É importante fazer a poda de árvores permitindo que o sol em um dos períodos do dia atinja o solo, evitando locais sombreados e úmidos”, disse Aoki. Ela explica que uso nos cães de coleiras impregnadas com deltametrina 4% como medida de proteção individual para os animais contra picadas de flebotomíneos tem se mostrado altamente eficaz em proteger o animal e repelir o mosquito.

A doença já foi considerada letal para cães, pois não havia tratamento reconhecido disponível, sendo recomendada a eutanásia do animal. Entretanto, recentemente foi aprovada a primeira medicação para tratamento da leishmaniose canina do país, cujo inconveniente maior é o alto preço do medicamento, que já começa a ser utilizada de maneira mais frequente pelos proprietários dos pets. O tratamento para humanos é eficaz, mas é importante o diagnóstico precoce. O prognóstico da doença varia conforme sintomatologia e cronicidade da doença, fazendo-se necessário a consulta a um médico especializado. O tratamento também é gratuito e está disponível na rede do Sistema Único de Saúde (SUS).

É importante ressaltar que a doença não é contagiosa, nem se transmite diretamente de uma pessoa para outra, nem de um animal para outro, nem dos animais para as pessoas. A transmissão do parasita ocorre apenas através da picada do mosquito fêmea infectado.

Sintomas da doença

Leishmaniose Visceral Americana (LVA) é uma doença parasitária infecciosa e originalmente uma zoonose que afeta animais e o homem. No Brasil é causada por um protozoário do gênero Leishmania e transmitida predominantemente pelo flebotomíneo (“mosquito”) Lutzomyia longipalpis.

No cão, os principais sintomas observados são: emagrecimento progressivo; aumento dos gânglios linfáticos; apatia, falta de apetite e anorexia; úlceras e descamação da pele; descamação e perda de pelos; feridas na pele que demoram para cicatrizar; crescimento anormal das unhas.

No homem, os principais sintomas da leishmaniose visceral são febre intermitente com semanas de duração, fraqueza, perda de apetite, emagrecimento, anemia, palidez, aumento do baço e do fígado, comprometimento da medula óssea.

Mas atenção! É de extrema importância estabelecer o diagnóstico diferencial, porque os sintomas da leishmaniose visceral são muito parecidos com uma série de outras doenças, tanto no cão como no homem.

 

Por Priscila Carvalho

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