Com mais de 60 mil idosos, Rio Preto vive desafio de adaptar espaços

Foto- Claúdio LAHOS

Rio Preto tem, hoje, em torno de 14% de sua população de 450 mil habitantes formada por idosos com mais de 60 anos de idade. E esse índice deve dobrar nas próximas duas décadas, seguindo tendência nacional, segundo o IBGE ((Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística).

O aumento de idosos vai trazer vários desafios em diferentes campos, como social, econômico e político, que precisarão ser revistos para priorizar uma população mais v e l h a . D e acordo com diferentes profissionais, Rio Preto não está preparada para enfrentar essa realidade.

A adaptação dos espaços públicos e privados vai ser um dos grandes desafios nos próximos anos, justamente por conta do envelhecimento da população. O arquiteto urbanista Sergio Agustini comenta que não só as cidades vão precisar passar por adequações, mas também a arquitetura de casas para poder atender uma população cada vez mais idosa.

“Hoje, nós temos visto um problema sério do ponto de vista urbano a ser enfrentado. A cidade vai ter que se adaptar a essa nova realidade. E do ponto de vista arquitetônico, da moradia, também vai ter que sofrer algumas alterações, como p o r t a s m a i s largas, banheiros acessíveis, abolir escadas ou substituir por outros equipamentos, prevendo que a população e o dono da casa vão ficar velhos”, destaca Agustini.

A enfermeira Leila A enfermeira Leila Spessoto atuou nos últimos anos cuidando de idosos e ela afirmaque, embora o envelhecimento seja um estágio natural da vida, as pessoas não se dão conta disso.

Ela observa que com a idade, aparecem mais problemas de saúde como hipertensão, diabetes, colesterol, doenças vasculares, osteoporose e Alzheimer.

Leila argumenta que quem almeja um envelhecimento mais saudável precisa repensar as atitudes. “Nós precisamos começar a pensar no envelhecimento ativo e saudável desde cedo. Acima de 30 anos a gente já começa a ter mudanças hormonais no organismo. Isso lá na frente acarreta sérios problemas de circulação, de obesidade, resultados da vida sedentária. Além disso, é preciso ter uma preparação dos profissionais da saúde que ainda não estão aptos para cuidar dos idosos”, ressalta.

Segundo a educadora física Pamella Figueiredo, a musculação é um método que pode minimizar efeitos negativos que são naturais do processo de envelhecimento, atuando como prevenção de patologias e ajudando no tratamento de muitas já adquiridas como diabetes, hipertensão e até mesmo depressão.

Conforme Pamella, apesar de todos os benefícios, as academias ainda não têm programas específicos voltados a esse grupo. “Em relação aos idosos, a procura por academias vem aumentando gradativamente, mas ainda é insuficiente. As academias, em geral, estão credenciadas e capacitadas para o atendimento de todos os grupos, mas não há um programa específico direcionado para a melhor idade”, ressalta.

O envelhecimento da população traz desafios que perpassam as questões de saúde e de adequações urbanísticas. O economista Roosevelt de Souza Bormann Filho comenta que, do ponto de vista econômico, esse quadro vai trazer questões que precisarão passar por adequações, como a questão da previdência. “Com o envelhecimento da população, os impactos na economia são inevitáveis. Questões como o INSS, força de trabalho, bem como o impacto na saúde pública precisam ser repensados, porém as adequações precisam ser feitas com responsabilidade”, pondera o economista.

O que todos os profissionais ressaltam é que a população ainda não está preparada para lidar com o envelhecimento, embora algumas medidas já venham sendo realizadas nesse sentido.

Os especialistas são enfáticos em dizer que, se não começarmos a dar prioridade a essa questão, vamos ter muitas dificuldades, visto que essa realidade é inevitável e, em poucos anos, seremos uma população com mais idosos do que jovens.

Por: Leandro BRITO

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