Com futuro incerto, atletas recebem apoio de instituição educacional e se formam para seguir suas carreiras

As atletas do vôlei de Rio Preto, Ana Manginelli, Letícia Correa, Gabriela Dias, Bellatrys Silva e Larissa Correa, junto com os professores e treinadores Adenilson Ambrozio e Martin Wisiak, durante a colocação de grau

Vivendo momentos de incertezas, diante de mais um ano com recursos escassos para o esporte, as equipes rio-pretenses, que vem perdendo atletas importantes para outras cidades e clubes do país, tem ao menos um motivo para comemoração.

Em parceria com o Centro Universitário de Rio Preto (Unirp), 12 alunos/atletas se formaram nesse ano e, se não tiverem um prosseguimento na carreira esportiva competindo, já se habilitaram profissionalmente para suas profissões para o resto da vida.

Larissa Garcia Correa, 20 anos, atua pelo time de vôlei de Rio Preto e formou-se em Educação Física, com o título de licenciatura. Nesta temporada, mesmo com o salário reduzido, a atleta, natural de Piracicaba e que vai para o seu quinto ano em Rio Preto, diz que irá continuar na equipe devido à bolsa e ao objetivo de conseguir o título de bacharelado.

“A faculdade foi um das coisas mais gratificantes que aconteceram na minha vida. É dali que vou tirar o meu futuro e o meu crescimento como pessoa e agora profissional na área”, afirmou.

Quem também está há cinco anos em Rio Preto, vinda de Itápolis, é Ana Carolina Manginelli, 20 anos, que joga na mesma equipe de Larissa e também conquistou o título de licenciatura em Educação Física neste ano.

“A faculdade contribuiu muito para a minha formação e é um incentivo para eu praticar esportes. É um dos principais motivos para eu continuar jogando”, disse.

Já Bellatrys Ortega Silva, 20 anos, que mora em Rio Preto, também joga no time de vôlei e é bolsista, diz que a faculdade abriu seu campo de visão em relação ao curso de Educação Física, na qual ela conseguiu o título de licenciatura.

“Agora no último ano, quase formada, tenho ideias novas e um leque de áreas para trabalhar e colocar em prática o que aprendi, além de me ajudar a amadurecer em todos os sentidos. E, porque não, futuramente dar um retorno à cidade com núcleos de escolinhas de vôlei, por exemplo, já que teremos condições de passar adiante tudo o que aprendemos”, explicou ela, que, por outro lado, lamentou a atual situação do esporte na cidade.

“Todo início de ano é a mesma dúvida: continuar ou parar? Por mais que tenha a dúvida sobre a Secretaria de Esportes, todo ano uma surpresa, várias coisas estão envolvidas entre o vôlei, salário, treinos, nosso reconhecimento no esporte. Enfim, é muito complicado você representar uma cidade onde não se é incentivado a praticar, ou onde não se tem reconhecimento pelo que já foi feito. No entanto, mesmo com a situação precária do esporte em Rio Preto, a ponta de esperança que nos sobra é a faculdade”, finaliza.

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Formandos – Além do curso de Educação Física, a faculdade já formou atletas, desde o início do programa de bolsas em 2001, em Administração, Nutrição, Fisioterapia, Ciências da Computação, Engenharia Civil, Direito, Farmácia, Arquitetura e Urbanismo, Ciências Contábeis e Comunicação Social. Nesse ano, além das meninas do vôlei citadas no texto, também se formaram atletas do basquete masculino e feminino, natação feminino, ciclismo masculino e judô masculino.

“Nos preocupamos muito com isso. A formação humana desses atletas”

Segundo Sérgio Luis Conti, Pró-Reitor da faculdade, o programa que existe desde 2001, começou com o basquete e foi ampliando para as outras modalidades, formou 200 alunos/atletas, em média, e atualmente contribui com 60 bolsas integrais, o que equivale a R$600 mil por ano, valor próximo da verba disponibilizada pela Prefeitura para todas as modalidades neste ano de R$ 1 milhão.

“A instituição tem como missão, além da formação profissional, ética e cidadã, também investir no esporte, porque nós sabemos que nem todos são atletas que vem das classes A e B. Muitos vêm das classes C, D, às vezes até E. E eles não teriam condições de estudar em uma instituição de qualidade como é o caso da Unirp. Então, essa parceria vem ao encontro desse anseio em prestigiar o esporte regional”, explicou o Pró-Reitor.

Conti diz que a instituição quer que os atletas tenham uma profissão após encerrarem suas carreiras. “Com uma formação, ele pode ser um advogado, um administrador, um arquiteto. Então, nós nos preocupamos muito com isso. A formação humana desse atleta. Também estimulamos os clubes com estágios em outras áreas, não só educação física, mas o clube parceiro precisa de um fisioterapeuta, um nutricionista, um tratamento odontológico, um apoio jurídico. Temos outras áreas do conhecimento que também podem e vem contribuindo com o esporte na nossa cidade”, finalizou.

Por Marcelo SCHAFFAUSER

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