Com domínio público, obras de Monteiro Lobato ficam mais baratas

Foto Cláudio Lahos

Em 4 de julho do ano passado, a morte do escritor Monteiro Lobato completou 70 anos. Por
conta disso, as obras do autor caíram em domínio público a partir de 1º de janeiro deste ano.

Isso significa que os direitos autorais sobre seus livros e artigos não são mais protegidos. Agora, as editoras têm permissão para publicar as histórias de Lobato. A novidade está mobilizando algumas editoras, que pretendem investir no lançamento de obras o autor.

A Globo Livros, que tinha os direitos exclusivos de obras de Pedrinho, Dona Benta e Tia Nastácia desde 2007, deve lançar edições especiais de A chave do tamanho e O Picapau Amarelo. A companhia das Letras também vai publicar novas edições de Reinações de Narizinho.

Além disso, estão planejando o lançamento da biografia juvenil de Monteiro Lobato, escrita por Lilia Moritz Schwarcz e Marisa Lajolo especialmente para os pequenos. “O domínio público incentiva as editoras a lançar novas edições. Um exemplo disso é o livro do Pequeno Príncipe que, quando virou domínio público, em pouco tempo várias editoras
anunciaram o lançamento da obra. Com as obras do Monteiro Lobato, é possível que aconteça a mesma coisa. Provavelmente, vão ter várias edições publicadas ao longo do ano”, explica Eduardo Villela, book advisor e assessor de pessoas e de empresas que
precisam de ajuda para escrever e publicar obras.

A equipe do DHoje visitou algumas livrarias para saber se houve alguma mudança com
relação à compra e venda de obras do autor. Augusto Luiz, funcionário de uma das livrarias, comentou que as vendas continuam normal. “Os livros do Monteiro Lobato são muito vendidos, tem muita procura, principalmente no começo do ano, pois muitas
escolas pedem a leitura das obras do escrito. Mas normalmente, os livros dele vendem por si só”, comenta Luiz.

Algumas reedições de obras de Monteiro Lobato já começaram a chegar às livrarias. Segundo Luiz, eles receberam a entrega de alguns livros do escritor lançados pela Ciranda
Cultural. A editora publicou em janeiro deste ano a primeira edição pela Ciranda Cultural de
histórias como Dom Quixote das Crianças, Emília no País da Gramática, Reinações de Narizinho, Histórias de Tia Nastácia, Fábulas e O Saci.

Villela explica que, antes da obra passar a ter domínio publico, os familiares detêm o direito
da obra e pode ceder a uma única editora. Quando os livros viram domínio público, qualquer editora tem a chance de relançar as obras. O que proporciona tanto benefícios às editoras como também ao público. “O domínio público favorece a concorrência de preços no mercado.

Assim, algumas editoras podem produzir edições mais simples e mais baratas e outras
fazer um livro com mais luxo, com capa duro e, consequentemente, mas caro. O mercado passa a ter várias opções, para diferentes gostos e bolsos, favorecendo maior concorrência e opções de escolha”, ressalta Villela.

Com o domínio público, as editoras não só passam a ter direito sobre a obra, mas também
instiga a criatividade. “A editora pode lançar não só livros com capa dura, mas também com comentários das obras e do autor, guias do leitor, tem essa possibilidade por conta da quebra do monopólio”, explica Villela. Segundo Villela, o domínio público favorece o contato com leitor com as obras do escritor.

Mesmo que a pessoa não queira comprar os livros, por não ter direitos reservados, as obras podem ser encontradas para baixar no site do governo, o dominiopublico.gov.br, onde ficam disponíveis todas as obras públicas.

“Neste sentido, a percebe-se também uma valorização do autor e incentiva o leitor que não
tinha condição de ter uma edição de histórias como a de Lobato, que tem grande mportância na literatura”, destaca.

 

Por Leandro BRITO

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