Com arrecadação em queda, advogado diz que sindicatos terão que se reinventar

Segundo dados do Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), durante os quatro primeiros meses do ano, os sindicatos apresentaram uma queda de 88% em suas arrecadações. E o motivo, de acordo com o órgão, recaí sobre a reforma trabalhista, em vigor desde novembro do ano passado.

Desde as mudanças das leis trabalhistas, que deixaram a contribuição sindical facultativa, de janeiro a abril deste ano os sindicatos arrecadaram 102,5 milhões, uma queda de 90% em relação ao ano passado.

Para o advogado trabalhista André Sardella, o cenário para os sindicatos é preocupante neste momento. “O sindicato que não é muito atuante, participativo, não oferece muitos benefícios, acabaram ficando prejudicados, porque a pessoa diz que o sindicato não fez nada por ela e não vai autorizar. Porém, às vezes, por muitas vezes, o sindicato brigou um tempão para conseguir um reajuste melhor, só que a pessoa não sabe, porque ela fica mais atenta se o sindicato tem um clube bom, um dentista de graça, uma manicure gratuita, como é a sede, se tem colônia de férias na praia. Então, o sindicato que não tem essas coisas acaba prejudicado por conta disso”, explicou ele, que falou sobre as alternativas que podem ser tomadas.

“Tem muitos trabalhadores que esse ano preferiram não contribuir e esperar pra ver o que o sindicato vai apresentar. Então, os sindicatos terão que se reformularem, buscarem uma proximidade maior com a categoria. Por mais que seja difícil, mas essa proximidade precisa ser feita, mostrar o que está sendo feito, tentar levar isso para a categoria por meio dos diretores regionais, publicidade, para deixar que os trabalhadores entendam como funciona esse trabalho de bastidores dos sindicatos. O que seriam esses bastidores? É aquela luta quando tem as convenções. Quando chega na época do dissídio”, afirmou.

Sobre quem se deu bem com a reforma trabalhista, Sardella separou em dois pontos para classificar. “Para o trabalhador de nível mais elevado, com mais escolaridade e salário, não ficou tão ruim, porque a reforma em si traz algumas liberdades para o trabalho, que pode fazer um contrato mais livre com o empregador. Agora para as classes assalariadas, de pouca instrução, ficou pior. E o reflexo dessa queda dos sindicatos perde a representatividade. Então, o prejuízo do trabalhador, nesse caso, é que a luta não vai ter mais, ou força do sindicato vai ser muito menor”, finalizou.

Por Marcelo Schaffauser

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