Cloroquina pode causar problemas na retina e cardiovasculares

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Ministério da Saúde alerta para o risco do uso de remédios contra a COVID-19 sem indicação médica

Pesquisadores e cientistas em todo o mundo, inclusive no Brasil, estão em busca de vacinas e até de remédios que possam tratar efetivamente o novo coronavírus. Em meio à pandemia, alguns estudos promissores relacionados a medicamentos já foram publicados. Porém, o fato é que, ainda, não há evidências científicas, com testes realizados em humanos, que possam comprovar um tratamento específico contra a COVID-19.

Dhoje Interior

A cloroquina e a hidroxicloroquina são alguns dos medicamentos que estão sendo discutidos por autoridades e órgãos de saúde mundiais. O Ministério da Saúde começou a distribuição dessas medicações para hospitais tratarem pacientes graves, sendo que a indicação é para o uso em um curto prazo – cinco dias de tratamento, além da aplicação de uma dose preconizada.

Por outro lado, a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) junto com o Ministério da Saúde ressaltam que os estudos sobre a eficácia dos dois remédios contra o coronavírus ainda não são conclusivos. Além disso, as instituições fazem um alerta à população para não usar a medicação fora do ambiente hospitalar por conta dos diversos efeitos colaterais.

Entre esses efeitos estão lesões na retina e distúrbios cardiovasculares. O oftalmologista do Horp, Rafael Delsin, explica que a toxicidade dos remédios pode prejudicar a visão do paciente se não for ministrado de maneira correta.

“Entre os sintomas oculares, estão a baixa acuidade visual, alteração da percepção de cores e mancha escura no campo visual. Ainda assim, a alta dosagem dos medicamentos e o uso por mais de 5 anos pode causar doenças na retina, como a catarata e a maculopatia”, frisa.

O médico esclarece ainda que a cloroquina e hidroxicloroquina são úteis no controle de doenças reumáticas, como artrite reumatoide e lúpus. Então, todos os pacientes que fazem uso dessas medicações precisam passar por exames para verificar se existem fatores de risco que agravam os efeitos colaterais. Em casos de retinopatia tóxica por cloroquina, o diagnóstico precoce e a suspensão imediata do remédio são fundamentais.

“Pacientes em uso de cloroquina e seus derivados deverão ser examinados, monitorados e documentados desde o início com exame oftalmológico completo, com destaque para o fundo do olho. Além disso, o tempo do tratamento deve ser levado em conta, principalmente, a dose diária e a dose cumulativa”, finaliza o especialista.

Da REDAÇÃO