Civil investiga plano de atentado a escola estadual em Rio Preto

Drogas e dinheiro foram apreendidos pelos policiais civis com o irmão de um dos adolescentes do grupo

A Polícia Civil de Rio Preto deflagrou no início da manhã de ontem (8/5) a Operação Aquino, que cumpriu mandados de busca residenciais expedidos pela Vara da Infância e Juventude nas casas de quatro adolescentes, sendo dois meninos e duas meninas entre 13 e 15 anos, estudantes de uma escola estadual do município, localizada no bairro Boa Vista.
Em referência a São Tomás de Aquino, protetor das escolas, a ação comandada pelo GOE (Grupo de Operações Especiais) investigou um possível atentado semelhante ao massacre de Suzano/SP, em março deste ano.

“O trabalho teve muita participação dos policiais do serviço de Inteligência da Polícia Civil. Durante investigações na ‘deep web’, encontramos esse grupo de alunos interessados na compra de armas”, afirma o delegado e coordenador do GOE, Alexandre Del Nero Arid. Deep web (‘camada profunda’, na tradução livre) é um termo usado para se referir a conteúdos anônimos ou ilegais na Internet, que não pode ser acessada facilmente.

As buscas foram realizadas nos bairros Caic, Alto das Andorinhas, Vila Esplanada e Boa Vista. Equipamentos de informática e aparelhos celulares foram apreendidos na casa dos menores. O irmão de um dos jovens, maior de idade, foi preso com porções de drogas e dinheiro. Entre os materiais encontrados pela polícia, um quadro usado para tiro ao alvo também foi apreendido. “Um dos adolescentes foi até um estabelecimento em um shopping da cidade para praticar”, afirma Arid.

Segundo o juiz da Vara da Infância e Juventude de Rio Preto, Evandro Pelarin, os jovens faziam parte de um grupo na deep web frequentado pelos mesmos autores do atentado em Suzano.

“Ainda não há confirmação de que eles tenham conversado. Uma das menores apreendidas chegou a mencionar que tinha a planta da escola; isso alertou a polícia e a operação foi em caráter de urgência”, esclarece.

Ainda segundo a polícia, a instituição e a sociedade estão fora de risco. Esta é a segunda vez que estudantes são apreendidos suspeitos de planejar ou ameaçar atentados em escolas do município.

Em março deste ano, um garoto de 16 anos, aluno de uma escola na Vila Santa Cruz, foi apreendido e encaminhado para internação na Fundação Casa depois de compartilhar mensagens de incentivo ao crime no WhatsApp. Ele também teve participação recente no grupo das redes sociais.

Todo o material apreendido será periciado pela polícia. Os menores e os responsáveis foram ouvidos na DIG (Delegacia de Investigações Gerais).

Em nota, a Diretoria Regional de Ensino informou que a direção da instituição não recebeu nenhum registro de ameaça. As aulas estão acontecendo normalmente e a escola possui parceria com Ronda Escolar para policiamento do entorno da unidade. Também está em estudo um projeto para reforço da segurança nas escolas mais vulneráveis e os procedimentos de segurança em todas as 5,3 mil escolas da rede estadual serão revisados.

A DE está à disposição dos pais ou responsáveis pelos alunos para quaisquer esclarecimentos.

Por Karolina GRANCHI 

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