Circuito leva cultura à região

Arte rio-pretense ganha asas e toma novos voos. O destino, praças, projetos sociais e até rodoviárias. Onze municípios do interior, estão recebendo a 2ª edição do “Circuito Fabrica de Sonhos de Teatro”, que começou no último sábado e segue até o dia 17 de dezembro, com destino final na praça Euclydes Cardoso Castilho, em Novo Horizonte, região de Rio Preto.

O projeto foi liberado pelo ProAc, um programa de incentivo à cultura do Governo do Estado e Secretaria da Cultura, na modalidade incentivos fiscais.
Além dos espetáculos, a companhia vai oferecer de graça, 11 atividades de formação voltadas a jovens e adultos de todas as idades em Cedral, Nova Granada, Cosmorama, Novo Horizonte, Lins, Ribeirão Preto, Franca, Bauru, Marília, Araras e Mogi Guaçu.

Iluminado na obra do popular romancista inglês, Charles Dickens, da era vitoriana. O diretor, Guido Caratori, em 60 minutos, na primeira noite das apresentações, na rodoviária de Cedral, apresenta a peça “Apenas um Conto de Natal Caipira”. No enredo, a história do coronel Benedito Tomé, um velho fazendeiro rabugento e solitário, implacável com as pessoas, preocupado apenas com seus lucros e que detesta o Natal e a felicidade daqueles que prestigiam a data.

Junto com o militar, dono de uma fazenda, trabalha o ajudante, José do Espírito Santo, rapaz humilde, pai de quatro filhos, e da pequena Ruth do Espírito Santo, filha caçula que sofre de paralisia nas pernas.

Na véspera do nascimento de Jesus Cristo, ao voltar para casa, Tomé se esbarra com o fantasma de seu falecido sócio Zacarias Serafim, também cruel como o próprio Benedito. Serafim lhe diz estar penando, por ter sido mal em vida, e que o Coronel está fadado ao mesmo destino, mas que ainda há uma esperança dele transformar o seu futuro, e para isso o coronel Tomé receberá a visita de três espíritos nessa véspera de Natal – O espírito do Natal passado, presente e o futuro. Cada um dos espíritos revelará ao coronel Tomé uma mudança de vida.

A peça foi apresentada no último sábado, na rodoviária municipal de Cedral. O próximo espetáculo será nesta quinta-feira, na praça de Nova Granada.
A escolha das primeiras seis cidades da região de Rio Preto, por está passando o Circuito, levou em consideração as dificuldades que a população local tem de alcançar atividades culturais, explica a diretora de produção, Drica Sanches. “Objetivo justamente foi esse, de promover esse acesso democrático a cultura a essas cidades que tem poucas possibilidades de assistir um bom espetáculo de teatro, com qualidade, que agrega música e tudo mais.”

Amarrado a exibição de cada atração, haverá ainda no mesmo dia, duas horas de aulas para quem se interessar em algumas técnicas de teatro, uma oportunidade de conhecer alguns conceitos básicos de produção, pesquisa e demonstração dos trabalhos pela trupe, estimulando o potencial criativo e imaginativo dos jovens participantes, por meio de atividades de integração, relacionamento de grupo, autoconfiança e autoestima, funcionando como suporte para os novos desafios na arte e na vida. “A gente tem muito essa pegada de formação de novos artistas. Nossos atores a maioria são jovens e são remanescentes desses cursos preparatórios que a gente faz, as atividades formativas vão completar essa iniciação teatral”, afirmou Drica, que espera uma média de até 30 participantes por cidade. A divulgação fica por conta de cada município na rota do circuito ou através dos núcleos locais de cultura.

Para o ano que vem, a organização já programa a peça “Circo Lando – O maior espetáculo da terra”. Por mais de uma hora. A cultura circense e os dilemas que envolvem pequenas famílias que rodam este nosso Brasil, levando alegria e momentos de descontração até crianças, idosos e adultos. A peça foi revelada em 2015 com um público de 10 mil espectadores. No cenário, luzes, muita fumaça, dois atores palhaços e um relato: como sobreviver debaixo da lona colorida, arrancando sorrisos nestes novos tempos. Três irmãos; Lando, Tito e Federico Formiga Lando, herdaram do pai um circo, todos são criados no circo da família e, no final da adolescência, início da juventude, Tito assume a administração do ganha pão, enquanto Federico vai embora para estudar no exterior.

Tito aprende o ofício do pai e se dedica ao circo de corpo e alma. Apesar de nunca ter saído do país, conhece o Brasil de ponta a ponta. Ao longo de sua carreira, aprende a ser um excelente administrador e consegue alcançar o sucesso em sua profissão de artista e empresário, cuidando, assim, de todos que dele dependem. Já Federico, apesar de se formar um grande artista contemporâneo e completo (como ele mesmo gosta de afirmar) e de ter participado de grandes produções de teatro e cinema no exterior, ganhando rios de dinheiro, sempre foi um péssimo administrador.

Em uma de suas viagens internacionais, perde tudo em Las Vegas, obrigando-o voltar ao circo da família (único lugar que reconhece como lar). Tito, mesmo com toda a atribulação do trabalho no circo, nunca perdeu o contato com o irmão e sempre que necessário o socorre, o trazendo de volta para casa. “A dificuldade deles é ainda maior do que a nossa que é viver de teatro, de música, tenho certeza, circo hoje depende de ocupar um espaço público, de autorização, estrutura para se montar é tudo muito grande né, mas a gente quis contar essa história.”

De acordo com a organização, a peça será apresentada nas cidades de Bauru, Mogi Guaçu, Marília, Araras, Franca e Ribeirão Preto.

 

Da Reportagem

(Colaborou: Guilherme RAMOS)

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