Chapas vivem à beira das estradas em busca de caminhoneiros

Foto- Claudio Lahos

Quem passa pelas rodovias próximas de Rio Preto já pôde observar pequenas placas com dizeres “CHAPA”, geralmente escritos a mão, com cores berrantes e letra irregular. Qualquer objeto que sirva de identificação serve: pedaço de madeira, uma chapa de metal ou papelão mesmo. O objetivo é sempre o mesmo: chamar a atenção de caminhoneiros que chegam ao município para descarregar uma carreta.

Na luta pela sobrevivência, os ‘chapas’ são resistentes à chuva e ao sol escaldante da região, para conseguir algum trocado no final do dia. O perigo que vem das estradas, para eles, significa sustento. Acordam de madrugada, vestem a roupa mais simples que tem, andam quilômetros até chegarem a um ponto movimentado da BR-153, e depois, exercitam a paciência.

Ao lado de dois irmãos e colegas, Benedito de Melo, 61, espera que algum caminhão pare e solicite seu serviço para que ele possa levar dinheiro e comida para casa. Chamado pelos colegas de chapa de “Índio”, disse que passou a atuar no serviço de descarregamento de carga após ficar desempregado e encontrar dificuldades de recolocação no mercado de trabalho. “Comecei com 21 anos (1979), depois de perder o emprego que tinha em uma cooperativa. É uma vida complicada, e de espera. Não é sempre que serviço aparece, mas é uma forma de levar comida para casa”, explica.

Morador no bairro João Paulo II, Índio diz que levanta bem cedo para chegar às 6 horas no ponto montado pelo grupo. “É assim todos os dias. Chego às 6 horas da manhã e vou embora por volta das 17 horas. Quando tem serviço com carreta, aí não tem horário de encerramento do trabalho”, diz.

Diária até R$ 150

A diária cobrada varia de acordo com o produto e o peso. Segundo Benedito, em dia de serviço consegue levar para casa R$ 100 a R$ 150. A descarga de um caminhão, por exemplo, pode varias de R$ 30 a R$ 100; de uma carreta, de R$ 100 a R$ 150. Perguntado qual material de descarregamento é mais trabalhoso e exige mais do grupo, Índio respondeu de bate pronto, sem titubear. “É muito pesado descarregar cimento e o cal por irritar a pele”.

O grupo de chapa é praticamente considerado uma família por seus integrantes. Benedito conta com o apoio dos irmãos Geraldo de Melo Neto (64 anos) e João de Melo (51).

Bico

O perfil típico do chapa é de homens acima de 50 anos que não encontram mais colocação no mercado de trabalho, mas com exceções. Desempregado há dois anos, André Luis Ferreira dos Santos, 31, viu as coisas dificultarem na sua casa, e viu no serviço de chapa um ‘bicos’ para conseguir dinheiro até se recolocar em algum trabalho. “Tenho dois filhos pequenos e a situação apertou muito em casa. A cada dia é uma luta para ajudar em casa”, afirma.

André foi demitido de uma empresa no qual trabalhava na função de operador de perfuratriz. “Não quero isso para o resto da minha vida, mas no momento necessito. Quero arrumar um emprego o quanto antes”, conclui.

Por Vinícius MAIA

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