Casos de cinomose preocupam cuidadores de animais em Rio Preto

Foto Arquivo Pessoal

O tempo esquentou e você se preocupa em se refrescar. É hora de comer bem, tomar muito líquido e cuidar da imunidade para evitar pegar uma virose ou outras doenças de verão. Com nossos cãezinhos a história é a mesma, mas as precauções devem ser ainda maiores.

É nesta época do ano que a cinomose, responsável pela morte de 80% dos cachorros que a contraem, mais ataca. E para combater esse mal, transmitido no ar por um vírus, a principal arma é a vacinação. Sabe aquelas três doses que o filhotinho recebe nos primeiros meses de vida? Elas podem salvar a vida do animal, mas, para isso, devem ser aplicadas corretamente, sem atraso, e é essencial dar um reforço anualmente. A cinomose é uma doença altamente contagiosa entre cães, principalmente entre os filhotes. Ela é sistêmica, ou seja, pode atuar em todo organismo. O animal doente pode ter febre alta, vômito, diarreia, perda de apetite, corrimento ocular e nasal.

Cuidadores de animais de Rio Preto têm encontrado diversos cães nessa situação, as vezes em estado avançado. Mas, por não ser uma zoonose, a prefeitura não se responsabiliza por estes casos. A dona Giovana Berti, de 56 anos, mora numa chácara no Distrito de Engenheiro Schmitt. Ela afirma que já resgatou das ruas mais de 160 animais e sabe carinhosamente o nome de todos os meninos. “Antes era um caso aqui e ali, hoje a doença tem aumentado”, destaca a cuidadora. “Muitos cães foram abandonados no portão da chácara já com os sintomas da cinomose, alguns conseguiram se recuperar, outros ficaram com sequelas”, diz.

Depois que o animal foi infectado, ocorre um período de incubação de três a seis dias ou até 15 dias, que é o tempo que o vírus leva pra começar a agir dentro do organismo e fazer com que o cão apresente os sintomas. Após isso, o animal apresenta febre que pode chegar até os 41ºC. A prevenção é feita por vacinas polivalentes vendidas e aplicadas em clínicas veterinárias particulares, pois a cinomose não é uma zoonose e não é um problema de saúde pública. A Prefeitura de Rio Preto disponibiliza a vacina antirrábica através do Centro de Zoonoses. A cinomose não tem tratamento específico. O que se pode fazer é cuidar dos sintomas e adotar medidas para melhorar a imunidade do animal. Inicialmente, o cão infectado começa a apresentar secreção nasal, vômitos e diarreias. O quadro muitas vezes evolui para problemas neurológicos e ele passa a ter convulsão, para de andar e se alimentar, podendo chegar à morte.

“Para mim, é a pior doença que se pode pegar, porque tem alta fatalidade, apesar de tratarmos, e tem a parte emocional. É muito difícil conviver e aceitar todo esse processo”, conta o médico veterinário Guilherme Gusson, que cuida de cachorrinhos internados com a doença em sua clínica particular. Por falta de vacinação adequada, a frequência maior é em filhotes, mas cães adultos com o reforço atrasado também estão sujeitos. Principalmente nesta época do ano, o pet pode se expor ao vírus simplesmente ao sair de casa, pois nunca se sabe se outros cães no caminho estão saudáveis ou não.

“Às vezes se um animalzinho espirra de um lado da rua, e o que está do outro lado pode pegar a doença. Por isso é tão importante que a vacinação esteja em dia”, reforçou o médico. Segundo Guilherme, em países da Europa a doença está praticamente erradicada só com a vacina, por isso é tão importante conscientizar as pessoas. Os meses de junho a setembro também favorecem as gripes nos cães, caracterizadas por tosse e secreção. O cão deve ser mantido hidratado e em ambientes quentes para evitar que a doença evolua para uma pneumonia.

O cuidado deve ser ainda maior no caso de fêmeas amamentando e cachorros velhinhos ou debilitados, por exemplo. Os donos devem ficar atentos a sinais de tosse, prostração, diminuição do apetite e secreções associadas, como nariz cheio e pulmão chiando. “Ao menor sinal desses problemas devem procurar um veterinário, principalmente se o animalzinho teve contato com outros cães”, diz o veterinário.

CONTÁGIO

Ao contrário do que alguém pode pensar, a doença não passa do humano para o animal, mas o contrário, caso a fonte causadora seja a bactéria Bordetella bronchiseptica, pode ocorrer. O contágio ocorre geralmente onde há aglomeração de cães, por isso o nome tosse dos canis. Para evitar isso também há vacina por via nasal ou injetável. É bom ter uma atenção maior nesta época do ano com os cachorrinhos braquicefálicos, aqueles com o focinho achatado, como pugs, buldogues e shitzu. “Eles têm todo o trato respiratório achatado e, por isso, uma predisposição a doenças respiratórias. Como às vezes os donos já estão acostumados a vê-los tossir ou roncar, acabam demorando a ir ao veterinário e eles já chegam com um caso mais avançado”, afirma Guilherme Gusson.

Os cães que sofrem de colapso de traqueia – o órgão é reduzido quando eles fazem muito esforço ou estão sob forte estresse – também merecem atenção especial, assim como os que têm asma ou bronquite. Como cuidados ainda mais necessários no inverno, além das vacinas em dia, a veterinária cita a manutenção de um ambiente limpo e arejado. A alimentação deve ser com uma ração de boa ou excelente qualidade e o dono deve manter água fresca à disposição. Outro item importante é manter o cão aquecido. Se ele apresentar a ponta da orelha, o focinho e o rabinho frios está na hora de colocar roupinha.

Pergunte ao seu veterinário sobre as vacinas contra: » Cinomose e parvavirose » Tosse dos canis » Leishmaniose » Raiva » Giárdia Atenção: a vacina deve ser dada somente por um veterinário. Eles são habilitados e têm conhecimento específico para isso.  Conteúdo especial: Harley Pacola

 

Da REPORTAGEM

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