Carnaval potencializa mistura de medicamentos e álcool entre os foliões

O Brasil ultrapassou a média internacional no consumo de álcool per capita. O país chegou aos 8,9 litros por pessoa contra o número mundial de 6,4 litros. Os dados são de 2016 e foram divulgados em pesquisa da Organização Mundial de Saúde.

Porém, não é só na bebida que as estatísticas nacionais surpreendem. De acordo com o Anuário Estatístico do Mercado Farmacêutico da Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), 4,5 bilhões de medicamentos foram comercializados no país, também em 2016.
É no carnaval que essas duas substâncias têm mais chances de serem associadas. O resultado é o risco para a saúde. Cláudia Waideman, 26, conta que já abusou da mistura no carnaval. “Ninguém vai querer deixar de aproveitar o maior feriado do país, independente do remédio que tenha tomado. Eu, inclusive, já fui doente, com febre, para o carnaval. Tomei a medicação pra me sentir melhor e conseguir aproveitar, mas, claro, que bebi”, afirma.

O farmacêutico Victor Scaliante explica que mesmo quem não faz uso contínuo de medicações pode estar sujeito ao dano. “Poucos conhecem os reais riscos à saúde. Analgésicos ingeridos com o álcool podem, por exemplo, aumentar o risco de hepatite medicamentosa, levando a sérios danos no fígado”, explica.

A falta de conhecimento também é um agravante. “Com alguns remédios o álcool fazia um efeito muito mais rápido, já quando misturei com antidepressivos e ansiolíticos o efeito colateral foi bem mais forte. Tive até taquicardia, falta de ar, vômitos e desmaios. Nesses casos, a maioria das festas acabou no pronto socorro”, comenta Cláudia.

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Veja a seguir a tabela organizada pelo Conselho Regional de Farmácia do Estado de São Paulo sobre os riscos à saúde na associação de alguns medicamentos com álcool:

Álcool + ácido acetilsalicílico = eleva-se o risco de sangramentos no estômago e irrita a mucosa estomacal.

Álcool + antibióticos = A associação de álcool com alguns antibióticos pode levar a efeitos graves do tipo antabuse (uma reação adversa ao medicamento em caso de exposição ao álcool), o acúmulo desta substância tóxica causa vômitos, palpitação, cefaleia, hipotensão, dificuldade respiratória e até morte. Cetoconazol, nitrofurantoína, eritromicina, rifampicina e isoniazida causam inibição do efeito e potencialização de toxicidade hepática.

Álcool + anti-inflamatórios = Aumenta o risco de úlcera gástrica e sangramentos.

Álcool + antidepressivos = Aumenta as reações adversas e o efeito sedativo, além de diminuir a eficácia dos antidepressivos.

Álcool + calmantes (ansiolíticos) = Aumenta o efeito sedativo, o risco de coma e insuficiência respiratória.

Álcool + inibidores de apetite = Tontura, vertigem, fraqueza, síncope e confusão.

Álcool + insulina = Pode gerar hipoglicemia, pois o álcool inibe a disponibilidade de glicose realizada pelo organismo, portanto a alimentação deverá ser bem observada, pois com o álcool, a única disponibilidade de glicose vem das refeições. Uso agudo de etanol prolonga os efeitos enquanto que o uso crônico inibe os antidiabéticos.

Álcool + anticonvulsivantes = Aumenta os efeitos colaterais e o risco de intoxicação enquanto que diminui a eficácia contra as crises de epilepsia.

 

Por Marina LACERDA

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