SAÚDE CARDIO: Cardiopatia congênita

Não somente adultos podem apresentar problemas de coração. As crianças, incluindo recém-nascidos, lactentes e menores de 12 anos, também estão sujeitas a sinais e sintomas decorrentes de algum tipo de cardiopatia.

No entanto, nas crianças abaixo de 12 anos as cardiopatias congênitas, isto é, aquelas que são diagnosticadas durante a gravidez ou mesmo nos primeiros dias de vida, correspondem a parcela significativa das patologias pediátricas e demandam, por parte dos médicos, atenção quanto ao diagnóstico precoce e planejamento terapêutico efetivo.

Dois sinais clínicos podem ser apontados como sugestivos de uma cardiopatia congênita, exigindo, desta forma, correlação imediata entre o quadro clínico e exames de imagem – a presença de um sopro cardíaco e a existência de uma coloração da pele conhecida como cianose.

O sopro cardíaco de uma cardiopatia congênita não deve ser confundido com um sopro cardíaco comumente conhecido como sopro inocente. A propósito, o sopro inocente caracteriza-se por algumas particularidades como timbre e sonoridade variáveis de acordo com a posição corpórea e ciclo respiratório e diminuição gradual conforme crescimento e desenvolvimento da criança.

Por outro lado, o sopro de uma cardiopatia congênita chama atenção do médico por ter um timbre pouco variável, por ser mais intenso e por irradiar em diversos pontos do tórax da criança.

Conforme a criança cresce, nota-se que este sopro não atenua e pode, inclusive, piorar em termos de intensidade.

Neste contexto, é fundamental que o cardiologista faça o acompanhamento da criança, tanto do ponto de vista do exame clínico periódico como também por intermédio de exames complementares, destacadamente o ecocardiograma.

No tocante a existência de uma coloração de pele conhecida como cianose, é essencial estabelecer em que momento este sinal tornou-se evidente, ou seja, se foi notado desde o nascimento ou se a partir de determinada faixa etária.

Além disso, cianose deve ser compreendida como uma baixa oxigenação dos tecidos tendo como uma possível causa uma malformação congênita do coração.

As crianças que nascem com uma cardiopatia congênita que curse com cianose tendem a apresentar pior prognóstico e, dessa forma, o diagnóstico deveria ser precoce, preferencialmente na fase intrauterina.

Na atualidade, existem recursos tecnológicos que permitem este diagnóstico intrauterino e orientam quanto a necessidade do parto ou cesárea serem realizados em hospital mais especializado.

Dentre as cardiopatias congênitas que se destacam pela presença de um sopro patológico, encontram-se as comunicações entre cavidades cardíacas (interatrial e interventricular), as quais representam, anatomicamente, a presença de um orifício verdadeiro entre duas cavidades, promovendo turbilhonamento de fluxo e o sopro.

Dentre as cardiopatias congênitas que se destacam pela presença de cianose, encontram-se duas patologias complexas denominadas Tetralogia de Fallot e Transposição das Grandes Artérias.

Estas duas patologias, quando diagnosticadas e abordadas tardiamente, podem contribuir para o hipodesenvolvimento corpóreo da criança como também atraso psicomotor.

Em suma, o diagnóstico de cardiopatias congênitas pode ser feito na gravidez ou, no máximo, nos primeiros dias de vida, tendo como base dois sinais clínicos relevantes -sopro e cianose.

Caberá ao cardiologista identificar estes achados, correlacionar com exames de imagem e proceder a intervenção terapêutica mais resolutiva possível, a qual, na maioria das vezes, exige a participação de um cirurgião cardiovascular.

*Edmo Atique Gabriel – Cardiologista com especialização em Cirurgia Cardiovascular, orientador de Nutrologia e Longevidade e coordenador da Faculdade de Medicina da Unilago – www.drgabrielcardio.com.br

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