Caos instalado: de trabalhadores a estudantes, passando por ônibus, aviões e postos sem combustíveis, greve atinge de vez o país

Dezenas de postos em Rio Preto se encontram na mesma situação: sem combustíveis; greve também afetou ônibus escolares e chegou aos aeroportos

Ônibus, aviões, estudantes, trabalhadores, não importa o que, ou quem, todos vem sofrendo com a greve dos caminhoneiros contra o preço do diesel, que chegou ao quarto dia na região de Rio Preto, nesta quinta-feira (24).

As manifestações que continuam pelas rodovias de todo o Brasil, e que já atingiram vários setores, deixaram os estudantes de José Bonifácio, que vem para Rio Preto, sem aula.

Segundo a assessoria de imprensa da prefeitura, cerca de 200 alunos fazem o trajeto de José Bonifácio para Rio Preto todos os dias, principalmente, para as faculdades rio-pretenses. Porém, nesta quinta-feira, devido a greve, os ônibus que transportam os estudantes não devem sair da cidade. “O pessoal (caminhoneiros) está permitindo a passagem de ônibus, mas não sabemos como está a rodovia. Então, os alunos vão entrar em contato com os motoristas e ver quem vai ou não para Rio Preto”, afirmou a assessoria de imprensa.

As manifestações também impediram a cidade de receber nesta sexta-feira (25), o governador de São Paulo, Márcio França (PSB), que iria até José Bonifácio fazer a entrega de 183 casas, através do programa CDHU (Companhia de Desenvolvimento Habitacional e Urbano), para as famílias do Conjunto Habitacional Luiz Fachini Sobrinho – José Bonifácio D. O evento foi cancelado pela Secretaria da Habitação do Estado.

Em Rio Preto, assim como na região, o dia marcou a corrida dos motoristas aos postos de combustíveis para abastecerem seus veículos. E segundo o presidente do Sincopetro de Rio Preto, Roberto Uehara, a consequência da alta procura e o medo de faltar gasolina, etanol ou diesel deixou o estoque de combustíveis zerado em ao menos 10 postos na cidade.

“Ainda vamos fechar essa conta amanhã (sexta-feira), mas pelo menos em 10 já não tem mais combustível. Já sabemos que são muito mais, mas oficialmente vamos divulgar amanhã”, disse Uehara, lembrando que em Rio Preto existem 140 postos.

Sobre uma solução para o problema, o presidente do Sincopetro afirmou que só se o governo ceder a pressão dos caminhoneiros. “O combustível vai acabar e amanhã (sexta-feira) a tendência é que diminua ainda mais o número de postos que ainda terão gasolina, etanol ou diesel. Então, a única saída seria o governo ceder a pressão e o governo não quer ceder. Com isso já estamos vendo os aeroportos encontrarem problemas e cancelando voos”, completou Uehara.

E como afirmou o presidente do Sincopetro, a situação do aeroporto rio-pretense Professor Eribelto Manoel Reino preocupa. Segundo a administração do local, o combustível para as aeronaves é suficiente para mais dois dias voos (sexta e sábado). Sendo que a BR Aviation tem em estoque 27 mil litros e a Shell 45 mil litros. Ainda de acordo com a administração do aeroporto, os voos cancelados, até o momento, não tem relação com a greve dos caminhoneiros.

Por Marcelo Schaffauser

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